Legado Olímpico em Paris

Um ano depois, Paris-2024 celebra os legados visíveis e invisíveis

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A 'Torre Eiffel Olímpica' foi símbolo dos Jogos de Paris

Por André Fontenelle (Folhapress)

Um ano depois, existe um legado visível das Olimpíadas e das Paralimpíadas de Paris. Mais de 20 mil pessoas nadaram neste mês no antes poluído rio Sena, liberado para o banho após um século. Dez estátuas de heroínas francesas, negligenciadas pela história e usadas na cerimônia de abertura, agora têm local permanente. O imenso balão com a chama olímpica continuará deslumbrando o público a cada verão até Los Angeles-2028. A periferia ganhou ciclovias, estações de metrô, os apartamentos da Vila Olímpica.

Para o presidente do Comitê Organizador de Paris-2024, porém, o legado mais importante é o que ele chama de imaterial.

"O poder do esporte de congregar as pessoas, de emocioná-las, é o fundamental. Porque toca milhões, quiçá bilhões de pessoas", disse Tony Estanguet em entrevista à reportagem.

No próximo sábado (26), os parisienses comemoram, com uma série de eventos, o primeiro aniversário dos "seus" Jogos, que vão figurar por muito tempo entre os melhores da história. Previsões pessimistas de atentados terroristas, caos no trânsito e calor sufocante não se concretizaram. Ficaram na memória coletiva imagens icônicas, da equitação em Versalhes, do ciclismo em Montmartre ou do futebol de cinco ao pé da Torre Eiffel.

Segundo pesquisa recente da empresa Harris, 83% dos franceses "têm uma imagem positiva dos Jogos" de um ano atrás.

"O legado é verdadeiramente concreto, a começar pelos habitantes de Seine-Saint-Denis, onde concentramos muitos dos nossos investimentos", disse à reportagem a ministra francesa dos Esportes, Marie Barsacq, referindo-se ao departamento pobre da Grande Paris onde foi construída a Vila Olímpica.

A abertura de 26 de julho de 2024 foi, segundo Tony Estanguet, o pior e o melhor momento da organização dos Jogos. A cerimônia idealizada por ele, ao ar livre, com um desfile de barcos ao longo do Sena, quase foi estragada pela chuva. "Foi um dia muito intenso, muito difícil", conta. "No fim da cerimônia, eu estava completamente esgotado. Mas disse a mim mesmo: se sobrevivemos a isso, somos imparáveis".