Avanço do turismo põe preservação dos Lençóis à prova

3º Mutirão de Limpeza ocorre após visitação crescer 41% em um ano

Por

Os mutirões anteriores retiraram mais de 19 toneladas de lixo dos Lençóis

O incremento do turismo nos Lençóis Maranhenses gera renda e projeção internacional, mas também pressiona o patrimônio natural. No dia 20 de setembro, o Movimento Lençóis Limpo realizará o 3º Mutirão de Limpeza, com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

As duas ações anteriores retiraram mais de 19 toneladas de lixo. A primeira reuniu mais de 350 voluntários em Atins e recolheu 13 toneladas. A segunda, na Barra da Baleia, removeu mais de seis toneladas.

Predominam plásticos e vidros. Parte chega pelos rios Preguiças e Periá, mas rótulos estrangeiros indicam descarte inadequado por embarcações que navegam pela região.

O alerta cresce junto com a visitação. Em 2025, o parque recebeu 656,3 mil turistas, alta de 41,28% em um ano, segundo o Observatório do Turismo do Maranhão. Patrimônio Natural da Humanidade reconhecido pela Unesco em 2024, o destino ganhou visibilidade, oportunidades econômicas e maior responsabilidade ambiental.

Em entrevista à coluna, Cláudio Augusto Pereira, chefe do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, disse que os efeitos do turismo vão além dos resíduos e incluem os impactos do transporte de visitantes e o estímulo à especulação imobiliária.

"Hoje não me sinto seguro em dizer que o turismo no Parque Nacional ainda é sustentável. Ainda temos impacto e precisamos melhorar o controle", afirmou. Para ele, é preciso dimensionar quantas pessoas cada atrativo pode receber e integrar Barreirinhas e Santo Amaro ao monitoramento. O parque não cobra ingresso, mas os municípios arrecadam taxas turísticas.

Neste ano, cerca de 3,5 mil pessoas foram capacitadas para o processo de credenciamento e certificação obrigatória. Cada operador credenciado deve colaborar em três ações convocadas pelo ICMBio. "O parque é o escritório deles. Eles têm que cuidar do escritório", resumiu.

O mutirão visa mobilizar pousadas, restaurantes, agências e moradores. As comunidades do interior ainda enfrentam coleta urbana insuficiente. O turismo sustentável exige fiscalização, educação ambiental e serviços públicos capazes de proteger o território onde a atividade turística, de fato, acontece.