Turismo Azul prepara o setor para acolher autistas
Projeto alia capacitação, selo e tecnologia à inclusão real no turismo
Viajar ainda pode significar enfrentar ambientes barulhentos, filas, mudanças inesperadas e equipes despreparadas. O Turismo Azul Inclusivo quer mudar essa realidade ao preparar empreendimentos e conectar o setor às famílias de pessoas autistas. Em fase final de estruturação, o projeto prevê formação, adequação de experiências, certificação e um marketplace orientado pelo perfil sensorial do viajante.
A iniciativa nasceu da vivência de Gustavo Passinato com o filho Arthur e dos desafios compartilhados com Gisela, mãe do menino e especialista em formação. Segundo o IBGE, o Brasil tem 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, equivalente a 1,2% da população.
Em entrevista exclusiva ao Correio da Manhã, Passinato, CEO e fundador do projeto, explica que a primeira transformação exigida de hotéis, restaurantes e atrações não é necessariamente física. "É de conhecimento, preparo e atitude", afirma. A capacitação aborda acolhimento, comunicação e atuação em situações de sobrecarga sensorial. Conforme o tipo de estabelecimento, o processo pode incluir cardápios visuais, comunicação alternativa, mapas sensoriais e espaços com menor nível de estímulo.
A previsão é lançar o Selo Azul Inclusivo e o marketplace ainda no segundo semestre de 2026. A família poderá informar necessidades sensoriais para localizar hotéis, restaurantes, atrativos, guias, receptivos e passeios preparados.
Ainda não há locais oficialmente certificados. Restaurantes estão confirmados para iniciar os treinamentos, enquanto hotéis e outros empreendimentos seguem em negociação. O processo terá avaliações, atualização das equipes e renovação periódica. "Nossa preocupação é que o selo represente uma preparação real, e não apenas uma ação de comunicação ou marketing", ressalta.
O projeto formalizou parcerias com IDT-CEMA, Atibaia e Região Convention & Visitors Bureau e Abrajet, além de manter tratativas com MTur, Embratur e Sebrae. A iniciativa também inspirou o PL 2.684/2026, de Cezinha de Madureira (PL-SP), que cria um selo federal, válido por ao menos dois anos, para prestadores que adotem práticas inclusivas, adaptem ambientes e treinem equipes.