Guerra no Oriente Médio provoca reflexos no turismo internacional
Profissionais ligados ao setor fazem recomendações sobre situações de risco
Por Lanna Silveira
A crise no Oriente Médio — que teve um novo desdobramento com o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que se estende há três semanas — está causando impactos negativos no turismo mundial. Além das companhias aéreas terem aumentado o preço das passagens como consequência do aumento no preço dos combustíveis, que também é decorrente do estado de guerra do Oriente Médio, uma série de países da região estão sendo catalogados como áreas que devem ser evitadas por turistas.
No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores emitiu um Alerta Consular oficial, recomendando a turistas que os seguintes países da região não sejam escolhidos como destinos de viagem: Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina, Síria e Arábia Saudita. Apesar disso, a agente de turismo Mônica Nascimento, que atua no ramo há mais de 25 anos, afirma que contextos de guerra costumam afetar muito pouco a demanda por viagens; especialmente em países populares, como Israel. "Em um primeiro momento, a procura até diminui um pouco; principalmente com os clientes mais novos. Mas o fluxo de viagens para esses países continua relativamente normal. Desde que o aeroporto desses países esteja recebendo turistas, os voos para esses destinos não ficam vazios ou suspensos", explica Mônica, acrescentando que, nessas situações, os viajantes voltam suas atenções para regiões dos países que não estejam em guerra.
Agências de viagens possuem diferentes abordagens quanto a clientes que buscam viagens para países em guerra. Mônica explica que algumas empresas seguem com o processo de viagem sem ressalvas, enquanto outras buscam alertar o cliente sobre todos os riscos que podem ser enfrentados. Pessoalmente, Mônica afirma que prefere suspender a oferta de pacotes para locais que apresentam uma situação de conflito muito grave até que as condições se normalizem. Caso o risco seja moderado, a agente afirma não fechar um pacote sem que o cliente adquira um seguro viagem que possa respaldá-lo em emergências. "Não vendo o pacote sem o seguro. Também recomendo que os meus clientes evitem escolher qual seguro adquirir pensando somente no preço, mas sim priorizando a qualidade da cobertura que ele consegue oferecer em qualquer caso", acrescenta.
Mesmo após fechar os contratos de viagem, os clientes podem optar pelo cancelamento caso, eventualmente, se sintam ameaçados. Mônica explica que, primeiramente, o viajante precisa solicitar esse cancelamento por escrito. Com esse documento, a agência de viagens contratada entra com um pedido oficial junto a todas as reservas incluídas no pacote - como hospedagem, passeios e passagem. Em relação às passagens aéreas, é comum que as agências aguardem o posicionamento das companhias responsáveis pelo voo, pois um cancelamento imediato pode resultar no pagamento integral do valor, mesmo se o cliente não consuma a viagem.
- As políticas de reembolso variam entre as companhias aéreas: algumas devolvem tudo, outras devolvem alguma parte. Já cuidei de um pedido de cancelamento em que a empresa ofereceu a possibilidade de adiar a viagem e guardar o crédito, ou efetuar o reembolso, por exemplo - explica Mônica.
A profissional acrescenta que as agências registram todas as tratativas de cancelamento por e-mail, e enviam todos esses dados ao cliente para que ele possa entrar com alguma ação judicial contra as empresas, caso julgue necessário.
Recomendações oficiais
O Ministério das Relações Exteriores também emitiu, em seu alerta consular, uma série de recomendações a serem tomadas por turistas que já se encontram em países sob conflito.
Durante ataques ou bombardeios, é indicado que o viajante se dirija ao abrigo mais próximo; caso estiver na rua, devem ser procuradas estações de metrô, viadutos ou estacionamentos subterrâneos. Se o turista estiver dentro de casa, o abrigo deve ser feito em cômodos com, pelo menos, duas paredes que o separam da parte externa do local, como corredores internos e áreas sem janelas. Todas as portas e janelas devem ser fechadas. O Ministério ressalta que a busca por abrigos deve ser prioridade, antes mesmo de entrar em contato com outras pessoas.
Como recomendações gerais de segurança, o ministério sugere que turistas sempre acompanhem os sites e mídias sociais das embaixadas brasileiras na região de destino e sigam suas orientações; que sigam rigorosamente as recomendações de segurança das autoridades locais; que evitem multidões e protestos; que monitorem a mídia local; e que não deixem seus locais de residência sem que seja seguro estar em ambientes externos; se certificar de que as condições de segurança o permitem.
Por fim, o Ministério também disponibiliza o contato dos plantões consulares das repartições diplomáticas brasileiras em regiões de risco. Em alguns países, há restrições à realização de ligações por meio do WhatsApp, razão pela qual se recomenda o envio de mensagens, caso a chamada não seja completada.
Embaixada em Teerã:
98(0)912 -148-5200
Embaixada em Tel Aviv:
972 54 803 5858. Recomenda-se, ainda, baixar o aplicativo do Home Front Command (https://www.oref.org.il/en) e manter-se atento aos seus alertas.
Embaixada em Doha:
(974) 66126585
Embaixada no Kuwait: ( 965)6684.0540
Embaixada em Abu Dhabi:
971 50 668 3258
Embaixada em Manama:
973 33646483
Embaixada em Amã:
962 7 7558 4460
Embaixada em Bagdá:
964 780 929 1396
Embaixada em Beirute:
961 70 108 374 e Canal WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VarNJEqJUM2gCsrVNj0i
Escritório de Representação em Ramala: 972 59 205 5510
Embaixada em Damasco:
963 933 213 438
Embaixada em Riade:
966 58 032 9064 (apenas para chamadas)
Embaixada em Mascate:
968 9709 7954