Nova subvariante da Covid-19 é monitorada no exterior
Linhagem BA.3.2, apelidada de "Cicada", já foi identificada em ao menos 23 países e apresenta elevado número de mutações
Uma nova subvariante da Covid-19 tem sido monitorada por cientistas após ser identificada em ao menos 23 países. Conhecida como “Cicada”, a linhagem BA.3.2 chama a atenção pelo alto número de mutações, embora, até o momento, não haja evidências de aumento na gravidade dos casos ou nas hospitalizações.
De acordo com especialistas, a BA.3.2 é uma subvariante da Ômicron, e não uma nova variante independente. Isso indica que ela faz parte do processo contínuo de evolução do vírus, que acumula alterações genéticas para manter sua capacidade de circulação.
Segundo o médico Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, esse comportamento já era esperado. Desde o surgimento da Ômicron, o vírus passou a evoluir principalmente por meio de sublinhagens, em vez de grandes mudanças entre variantes, como ocorreu anteriormente.
Mutações e possível escape imunológico
Um dos principais pontos de atenção na subvariante “Cicada” está nas alterações na proteína Spike, estrutura utilizada pelo vírus para invadir células humanas. De acordo com Juarez Cunha, a linhagem apresenta cerca de 75 mutações nessa proteína.
Essas mudanças podem influenciar o reconhecimento do vírus pelo sistema imunológico, favorecendo o chamado “escape de anticorpos”. Na prática, isso pode aumentar o risco de infecção mesmo entre pessoas vacinadas ou previamente infectadas, sem necessariamente resultar em quadros mais graves.
Sintomas permanecem semelhantes
Até o momento, não há indícios de que a nova subvariante cause sintomas diferentes dos já observados em versões recentes da Ômicron. Entre os sinais mais comuns estão febre, dor de garganta, tosse, coriza e cansaço.
Relatos iniciais apontam que o padrão clínico segue predominantemente leve na maioria dos casos, sem aumento de manifestações mais severas.
Vacinas seguem eficazes contra casos graves
Especialistas destacam que as vacinas continuam sendo eficazes, especialmente na prevenção de hospitalizações e mortes. Mesmo com mutações que permitem algum grau de escape imunológico, os imunizantes mantêm proteção relevante contra formas graves da doença.
De acordo com Kfouri, essa proteção tende a se manter por um período de seis a doze meses após a aplicação das doses, mesmo sem atualização imediata para cada nova subvariante.
Circulação e cenário no Brasil
Até o momento, não há confirmação oficial da circulação da BA.3.2 no Brasil. No entanto, especialistas consideram provável que a subvariante chegue ao país, dado seu histórico de disseminação internacional.
Também não há evidências de aumento de gravidade associado à linhagem. Em alguns países, investiga-se um possível crescimento proporcional de casos em crianças, hipótese ainda em análise.
Queda na vacinação preocupa especialistas
Mais do que o surgimento da nova subvariante, especialistas apontam a redução da cobertura vacinal como principal motivo de atenção. A Covid-19 ainda registra hospitalizações e mortes, especialmente entre grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e gestantes.
Atualmente, a doença apresenta comportamento semelhante ao de vírus respiratórios sazonais, como a gripe, mas segue com impacto relevante na saúde pública.