Amazônia registra menor desmatamento em 10 anos no primeiro semestre

Dados do Inpe mostram que os alertas de desmatamento na Amazônia atingiram o menor nível para um primeiro semestre desde o início da série histórica do Deter, em 2016

Por Redação

Os dados foram divulgados pelo Inpe na sexta-feira (10) e apontam uma redução de 38% em relação ao mesmo período de 2025

A Amazônia registrou, no primeiro semestre de 2026, a menor área sob alerta de desmatamento desde o início da série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre janeiro e junho, foram identificados 1.295 quilômetros quadrados com indícios de supressão da vegetação nativa, o menor índice para o período em uma década.

Os dados foram divulgados pelo Inpe nesta sexta-feira (10) e apontam uma redução de 38% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a tendência de diminuição dos novos focos de desmatamento no maior bioma brasileiro.

Deter monitora novos alertas de desmatamento

O Deter utiliza imagens de satélite para identificar alterações recentes na cobertura vegetal e emitir alertas que orientam ações de fiscalização ambiental. O sistema, no entanto, não representa a taxa oficial de desmatamento do país.

Segundo o Inpe, os alertas indicam áreas com sinais de retirada da vegetação nativa e servem como ferramenta para apoiar operações de combate aos crimes ambientais. A medição oficial é realizada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), que consolida anualmente a área efetivamente desmatada.

Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, os números refletem o impacto das políticas públicas voltadas à proteção ambiental e ao combate ao desmatamento ilegal.

Cerrado também registra redução, mas segue na liderança

O Cerrado também apresentou queda nos alertas de desmatamento durante o primeiro semestre. Entre janeiro e junho, o Deter identificou 3.142 quilômetros quadrados de áreas com indícios de perda de vegetação nativa, o menor resultado para esse período desde 2021.

Apesar da redução, o bioma continua concentrando a maior área sob alerta no país. O volume registrado no Cerrado foi aproximadamente 2,4 vezes superior ao observado na Amazônia no mesmo intervalo.

Enquanto a Amazônia registrou redução de 38% em relação ao primeiro semestre do ano passado, o Cerrado apresentou recuo de cerca de 6%.

Junho mantém tendência de queda

Os dados referentes apenas ao mês de junho também apontam diminuição dos alertas nos dois principais biomas brasileiros.

Na Amazônia, foram identificados 297,26 quilômetros quadrados com sinais de desmatamento, frente aos 457,61 quilômetros quadrados registrados em junho de 2025, uma queda de aproximadamente 35%.

No Cerrado, os alertas passaram de 508,69 quilômetros quadrados para 481,53 quilômetros quadrados, redução de 5,3%. Segundo o Inpe, a presença de nuvens em algumas regiões pode ter limitado a capacidade dos satélites de identificar mudanças na vegetação durante o período.

Calendário ambiental acompanha ciclo anual

Além da comparação por semestre, o Inpe acompanha o desmatamento em um calendário específico que vai de agosto a julho do ano seguinte. Esse modelo permite avaliar um ciclo completo da dinâmica do desmatamento, considerando fatores como regime de chuvas, cobertura de nuvens e sazonalidade das atividades de abertura de novas áreas.

Entre agosto de 2025 e junho de 2026, os alertas na Amazônia totalizaram 2.485,9 quilômetros quadrados, redução de 37,2% em relação ao ciclo anterior. No Cerrado, foram registrados 4.689,4 quilômetros quadrados, o que representa queda de 7,9%.

O ciclo será concluído após a divulgação dos dados referentes ao mês de julho.

Deter e Prodes têm funções diferentes

Embora os números indiquem uma desaceleração na abertura de novas áreas de desmatamento, o Inpe destaca que o Deter não mede a recuperação da floresta nem substitui a taxa oficial de desmatamento.

Enquanto o Deter atua como sistema de alerta rápido para subsidiar ações de fiscalização, o Prodes realiza uma análise detalhada das imagens de satélite e calcula, uma vez por ano, a extensão efetivamente desmatada em todo o território monitorado. Esses dois sistemas são complementares e desempenham funções distintas no acompanhamento da preservação dos biomas brasileiros.