Escritor reflete sobre 'o invisível' em crônica
Obra literária faz o leitor pensar sobre o ciclo da vida, refletir e olhar para dentro de si
Invisível significa algo ou alguém que não consegue ser visto a olho nu, ou algo que escapa da vista. Um exemplo que resume esse conceito é o ar, que, apesar de não ser visto, é sentido por todos os seres vivos. Outro exemplo, que ultrapassa religiões, é a ideia de um criador que está presente no cotidiano humano. Esses assuntos que perpassam pelo cotidiano da sociedade são o que o escritor petropolitano Luís Gustavo Grünewald aborda no livro de crônicas "Vida, Substantivo Invisível".
"Vocês perceberam que tudo isso é invisível? Que nunca o homem, na verdade, descobriu essas potências invisíveis, mas não foi ele que inventou. Elas já existiam no universo. Ele só descobriu. Isso é invisível, isso não pega. O próprio ar que a gente está respirando, isso não pega. Aqui tem um átomo de oxigênio. Correto, e acreditando em tudo isso, tem gente que tem o direito, mas como consegue duvidar da existência de um criador, dizendo que ele é invisível? Isso não tem lógica. Se você acredita que o seu celular funciona, se você acredita que o micro-ondas consegue esquentar a comida... Faço uma comparação meio que absurda", expressou Gustavo.
A obra de Gustavo, que é formado em Direito, tem pós-graduação em Direito Eleitoral e é Oficial da Reserva do Exército, reflete sobre 'o invisível' e explora o cotidiano e os ciclos.
"Ninguém é visto com o tempo, tá? Do nada. Vamos pegar como exemplo o aço. O mais duro aço, eu descrevo todos eles no livro, eles terminam. Se você pegar o aço inoxidável, que é um super aço com cromo, a duração dele é muito grande, dura mais de 100 anos, mas um dia ele vai virar ferrugem, óxido de ferro. Aí esse óxido de ferro, o vento ou a água... O próprio vento vai fazê-lo parar na terra, não é isso? Aí você, um dia, resolveu fazer uma casa. Você precisa fazer uma parede e compra areia. Naquela areia tem óxido de ferro. Aí você compra o vergalhão com o qual você faz a sua casa e constrói a parede. Fica muito bonito, mas aquela parede também não é eterna. O aço daquela parede um dia vai se corroer. O emboço da parede vai cair e ele vai voltar para a terra da mesma maneira como veio. Ou seja, é um ciclo", explicou.
As crônicas também levantam uma ideia de pós-vida, já que tudo é ciclo, e o ser humano também o segue. Esses assuntos fazem parte do cotidiano e se encontram no âmago de todo indivíduo, que reproduz ou não essas questões em suas vivências. "Então, na verdade, se o aço, que é duro e resistente a esse ponto, passa por esse ciclo, por que nós seríamos só um pedaço de carne que pensa, que morre e acaba?", indaga o autor.
Sobre esse ponto, Gustavo diz que é uma coisa cíclica, refletindo que não tem como uma pessoa se considerar menos importante que um pedaço de aço, pois coexistimos todos no mesmo espaço. "Não sou um pedaço de carne que pensa, nem você é. Somos seres pensantes e criadores. É impossível, na verdade, que isso tenha um final e tudo acabou, entendeu?", expressou.
Estrutura do Livro
A obra é um conjunto de ideias que transitam entre o cotidiano, as relações humanas e as inquietações que fazem parte da vida. Perguntado sobre o que o motivou a escrever, ressaltou que foi um trabalho de olhar para dentro. "Talvez isso possa ajudar alguém. Acho que é basicamente isso", disse.
Além disso, ele também coloca em pauta os direitos e as relações sociais. Um dos assuntos é sobre a imensidão do universo, que rende muitas teorias da conspiração, e o avanço da tecnologia, além da tendência da sociedade em rejeitar o desconhecido. Ao analisar a probabilidade de vida em outros planetas e os mistérios do tempo, o escritor traz, nas crônicas, nomes como Jesus Cristo, Albert Einstein e Elon Musk para argumentar que ideias revolucionárias frequentemente são rotuladas como loucura antes de se provarem reais. A reflexão transita entre carros e smartphones, nos quais ele pontua que a rotina atual pareceria mera ficção ou feitiçaria poucas décadas atrás.
Conversa
Para conversar com o público sobre esses pensamentos e ideias que também norteiam o dia a dia, Gustavo Grünewald organizou uma tarde de autógrafos, que vai acontecer neste sábado, das 15h às 17h, para o lançamento do livro. O encontro será realizado no Val Marchê, no bairro Valparaíso.
Nesse dia, uma das pessoas que foi uma inspiração para Grünewald, a atleta petropolitana Bela Faria, estará presente para agradecer a dedicatória do autor à trajetória de superação da nadadora.
O livro já está disponível para compra no site da Editora Autografia, no site da Livraria Martins Fontes, na Amazon e em outras livrarias online. O evento é gratuito.