Petrópolis celebra quase um século de história, tradição e pioneirismo na escalada

Cidade reúne mais de 600 vias e busca reconhecimento como Capital Estadual da Escalada em Rocha

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Data está relacionada à conquista da Pedra da Maria Comprida, em 15 de agosto de 1932

No dia 15 de agosto, Petrópolis celebra o Dia Municipal da Escalada em Rocha, data que homenageia um dos capítulos mais marcantes da história do montanhismo brasileiro. A escolha da data está relacionada à conquista da Pedra da Maria Comprida, em 15 de agosto de 1932, quando os escaladores Emérico Ungar, Conrad Berk e Schaut conquistaram a histórica Via da Canaleta, a primeira via de escalada da montanha.

"É o Dia Municipal da Escalada em Rocha, que coincidentemente a gente escolheu a data por ser a conquista da Maria Comprida, que foi uma via de escalada em 1932. A gente deixou a data para homenagear também essa conquista", explica Julian Kronenberger, excursionista do CEP (Centro Excursionista Petropolitano).

A conquista completa 94 anos neste sábado e é considerada um dos marcos da história da escalada em Petrópolis. A Pedra da Maria Comprida tornou-se um dos principais símbolos da atividade no município e uma referência para as escaladas de grandes paredes, conhecidas como big wall.

Em reconhecimento à importância esportiva, histórica e cultural da atividade, a Lei Municipal nº 8.946/2024 instituiu oficialmente o Dia Municipal da Escalada em Rocha, celebrado anualmente em 15 de agosto e incluído no Calendário Oficial de Eventos de Petrópolis.

Referência nacional

Ao longo de quase um século, Petrópolis consolidou uma posição de destaque no cenário da escalada em rocha no Brasil. O município reúne mais de 600 vias, distribuídas em mais de 100 setores, atraindo praticantes de diferentes regiões do país.

Para Julian, a dimensão alcançada pela atividade na cidade ajuda a mostrar a importância desse patrimônio esportivo. Entre as conquistas que fazem parte dessa história estão o Paredão D. Pedro II, a Fissura CEP, a No Fio da Loucura, considerada a primeira big wall petropolitana, e a Via Maria Nebulosa, aberta na Pedra da Maria Comprida e com mais de mil metros de extensão.

Novas gerações

Depois da conquista pioneira de 1932, a escalada petropolitana ganhou novo impulso a partir da década de 1960. Montanhistas como Cleverson Cabral, Jesus Carlos Coutinho Bárcia e Lúcio Vasconcellos contribuíram para o desenvolvimento técnico e organizado da atividade. Dessa época surgiram vias clássicas, como o Paredão D. Pedro II, em 1960, e o Paredão 15 de Maio, em 1968.

Na década de 1970, Luiz Cláudio Jatobá e João Ferreira Barbosa impulsionaram uma nova geração de conquistas, com a abertura de vias como El Toro e Giabra. Diante da dificuldade de importar equipamentos, escaladores petropolitanos também passaram a produzir artesanalmente dispositivos de proteção móvel, em um período marcado pela criatividade e pelo pioneirismo.

Os anos 1980 trouxeram novos avanços tecnológicos, com a chegada de equipamentos que ampliaram as possibilidades da prática. Em 1987, a abertura da Fissura Puma marcou um novo momento para a escalada esportiva em Petrópolis.

Na década de 1990, a atividade voltou a ganhar força, com novas conquistas em paredões como a Pedra Comprida e a Cabeça de Cachorro. Em 1998, foi aberta a No Fio da Loucura, considerada a primeira big wall da cidade. Quatro anos depois, a Via Maria Nebulosa, com mais de mil metros de extensão, reforçou a importância da Pedra da Maria Comprida no cenário das grandes paredes.

Natureza preservada

A história da escalada petropolitana também está diretamente ligada à conservação das montanhas. Grande parte dos locais utilizados pelos praticantes está inserida em unidades de conservação, como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos e o Monumento Natural Serra da Maria Comprida.

Além da importância para a preservação da Mata Atlântica e da paisagem serrana, esses espaços também guardam parte da memória do montanhismo. Tradições como as urnas de cume e os livros de registro ajudam a preservar relatos das conquistas e a história dos escaladores que passaram pelas montanhas da região.

Capital estadual

O reconhecimento da atividade pode ganhar uma dimensão ainda maior. Tramita na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro o Projeto de Lei nº 3.041/2024, que propõe declarar Petrópolis como Capital Estadual da Escalada em Rocha.

A proposta pretende fortalecer ações de conservação das vias históricas, incentivar a abertura sustentável de novas rotas, estimular o turismo de aventura e valorizar o patrimônio esportivo, cultural e ambiental relacionado à escalada.

Quase 100 anos depois da conquista da Via da Canaleta, a escalada continua fazendo parte da identidade de Petrópolis. O Dia Municipal da Escalada em Rocha é, além de uma homenagem aos pioneiros, uma oportunidade para reforçar a importância da prática segura, da preservação das montanhas e do respeito ao meio ambiente.

Um catálogo digital

A dimensão da escalada em Petrópolis também pode ser observada por meio do Escaladas.com.br, catálogo digital criado pelo escalador petropolitano Luciano Bender. A plataforma reúne mais de 10 mil vias de escalada em todo o Brasil e permite que os próprios praticantes contribuam com informações sobre as rotas.

Segundo Julian, Petrópolis aparece entre os municípios brasileiros com maior número de vias cadastradas na plataforma. "O criador do site é o Luciano Bender, que é escalador também, de Petrópolis. É um catálogo, um guia de escalada digital. A plataforma funciona como uma ferramenta de consulta para os praticantes, reunindo informações sobre diferentes vias e setores de escalada espalhados pelo país", explica.