Dia dos Pais: homens vivem sete anos menos que mulheres e prevenção pode mudar esse cenário

Levantamento mostra que doenças cardiovasculares e cerebrovasculares seguem como as principais causas de morte entre homens. Especialistas defendem check-ups regulares para reduzir diagnósticos tardios e aumentar a longevidade.

Por Bianca Lobianco

Homens acabam procurando menos por cuidados médicos e são mais acometidos por doenças cardio e cerebrovasculares.

Mais de 17 mil homens morreram no Brasil entre janeiro e maio de 2026 em decorrência de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. O número representa uma mortalidade 11,8% superior à registrada entre as mulheres no mesmo período e reforça um desafio que especialistas classificam como um dos maiores obstáculos para a saúde masculina: a baixa procura por consultas e exames preventivos.

Às vésperas do Dia dos Pais, médicos chamam atenção para um comportamento que continua impactando diretamente a expectativa de vida dos brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os homens vivem, em média, 72 anos, enquanto as mulheres alcançam 79 anos, uma diferença de aproximadamente sete anos.

Na avaliação dos especialistas, parte dessa distância pode ser explicada pelo diagnóstico tardio de doenças que poderiam ser identificadas antes do surgimento de complicações graves.

A resistência em procurar atendimento médico também aparece em levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A pesquisa mostra que 46% dos homens somente buscam um profissional de saúde quando já apresentam algum sintoma, enquanto apenas 32% dos brasileiros acima dos 40 anos afirmam manter uma rotina de atenção à própria saúde.

Para Márcio Nunes, coordenador técnico do São Marcos Saúde e Medicina, da Dasa, romper essa cultura é um dos principais desafios da medicina preventiva. "O diagnóstico precoce aumenta significativamente as possibilidades de tratamento e controle de diversas doenças. Quando o paciente procura assistência apenas após o aparecimento dos sintomas, muitas vezes o quadro já evoluiu para estágios mais complexos", explica.

Doenças silenciosas continuam sendo as mais perigosas

Embora infartos e AVCs costumem ocorrer de forma repentina, especialistas destacam que essas doenças normalmente se desenvolvem ao longo de vários anos. Segundo o cardiologista Alex Félix, da CDPI, alterações como hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes e aterosclerose podem permanecer silenciosas por muito tempo, sem provocar sintomas.

Por isso, o acompanhamento médico periódico permite identificar fatores de risco antes que eles provoquem eventos potencialmente fatais. Dependendo da avaliação clínica, podem ser indicados exames como eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma, Doppler de carótidas, escore de cálcio coronariano e angiotomografia das artérias coronárias.

Histórico familiar também merece atenção

Nem sempre, porém, alimentação saudável e prática de exercícios são suficientes para afastar o risco cardiovascular. O cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, destaca que parte dos casos de infarto precoce está relacionada à predisposição hereditária. Pessoas com histórico familiar de doença coronariana, morte súbita ou infarto em parentes próximos podem apresentar risco elevado mesmo sem alterações aparentes nos exames convencionais.

Segundo o especialista, ferramentas como o Escore de Risco Poligênico para Doença Coronariana ajudam a identificar indivíduos geneticamente mais suscetíveis ao desenvolvimento da doença, permitindo estratégias preventivas mais precoces.

Quais exames os homens devem fazer?

Especialistas recomendam que o acompanhamento médico comece ainda na juventude e seja ampliado conforme a idade e os fatores de risco.

Entre os 20 e 30 anos, o foco está na avaliação clínica e em exames laboratoriais, como hemograma, colesterol, glicemia, função renal e hepática, além do controle da pressão arterial e da composição corporal.

Dos 35 aos 40 anos, homens com obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo ou histórico familiar de doenças cardiovasculares podem necessitar de uma investigação cardiológica mais completa.

a partir dos 45 anos, entram no acompanhamento exames para rastreamento do câncer de próstata, como PSA e avaliação urológica, além da colonoscopia para prevenção do câncer de intestino, conforme indicação médica.

Especialistas ressaltam que o principal fator para aumentar a longevidade masculina continua sendo a prevenção. Manter consultas periódicas, controlar fatores de risco e adotar hábitos saudáveis pode reduzir significativamente a ocorrência de doenças graves e aumentar as chances de envelhecimento com qualidade de vida.