'Sou um homem que tem uma história de vida, que tem posições claras'
Ex-governador de Goiás, Caiado falou um pouco da sua trajetória de vida e de seus planos se virar presidente
O pré-candidato à presidência da República pelo PSD e ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado foi o entrevistado do jornalista Ricardo Bruno no programa Jogo do Poder, na CNT. Na conversa, Caiado falou um pouco da sua trajetória política e dos seus feitos como governador no estado de Goiás, deputado federal e senador da República.
Ricardo Bruno: Eu queria que o senhor explicasse como conseguiu reduzir a níveis minimamente aceitáveis a questão do crime organizado em Goiás e também que tipo de palavra tem para o eleitor e morador do Rio de Janeiro, que se vê já sem esperança de dias melhores nesse campo.
Ronaldo Caiado: Mandamento número um do governo Caiado: bandido não se cria; ou muda de profissão ou muda do estado; e agora vai ter que mudar do Brasil. Essa é a regra que eu implantei. Não é o que eu vou fazer, é o que eu fiz. Então, a diferença é que eu não sou aqui um candidato para soltar apenas plano de segurança pública, mas viabilizar uma briga boa, que eu quero deixar claro.
RB: O presidente Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O senhor tem dito também que, se vencer, vai classificar essas duas organizações como organizações terroristas. Isso tem efeito prático ou é apenas um slogan?
RC: Vou fazer isso no meu primeiro dia de governo, encaminharei ao Congresso Nacional e vou priorizar essa determinação por um motivo só. Você vê a situação aqui do Rio de Janeiro, você vê a situação da Bahia, do Ceará, do Rio Grande do Norte, expandindo para tantos outros estados da federação. E você vê um outro caso que muitas vezes, pela distância, não tem chamado muita atenção de vocês, que eu quero chamar aqui: é o Brasil hoje sendo 100% dominado na Amazônia brasileira pelas facções Comando Vermelho, PCC, venezuelanas, colombianas e mexicanas. Hoje a Amazônia, Ricardo, ela passou a ser um hub. Produz ali a cocaína. A cocaína vem de todos esses países produtores. E ali passou a ser a estrutura com a capilaridade que tem o PCC e o Comando Vermelho para exportação para a Europa, invadindo os Estados Unidos, invadindo a Europa.
RB: Governador, aqui no Rio de Janeiro houve uma grande operação na Penha, no Complexo do Alemão, que resultou na morte de 117 pessoas. O presidente Lula classificou essa operação como uma carnificina. Eu queria saber qual é a sua avaliação.
RC: Foi a mais inteligente e articulada operação que eu já vi durante toda a minha vida. A estratégia montada, e aqui eu quero aplaudir a inteligência da Polícia Civil, da Polícia Militar, toda essa área operacional daqui em que eles tiveram uma capacidade real de poder ter um combate sem comprometer um civil. Isso é inédito nesse combate. Agora, o que se precisava era da continuidade da ação. Você não pode fazer um combate ao crime organizado e depois deixar com que ele reagrupe toda a estrutura.
RB: Governador, eu queria falar um pouco agora de outro assunto. O senhor está no Rio de Janeiro, que, historicamente, tem se configurado como um reduto do bolsonarismo. O que pode dizer para o eleitor da direita e da centro-direita que votou em Flávio Bolsonaro e que está um pouco desencantado com os problemas que vieram à tona relacionados ao candidato?
RC: Primeiro lugar dizer que eu devo muito ao estado do Rio de Janeiro. Eu devo muito à cidade do Rio de Janeiro. Eu me sinto um pouco carioca. Trabalhei muito tempo no Rocha Faria, no Miguel Couto, no Hospital do Fundão. Eu morei aqui muitos anos, fiz minha especialização, fiz tudo. Então, eu tenho, me sinto, em primeiro lugar, com a responsabilidade, ao chegando à presidência da República, se Deus quiser, para poder retribuir este povo ao qual eu me formei e fiz minha especialização com muito orgulho. Então, com isto, eu quero dizer a você o seguinte: esta situação, ela está cada vez se avolumando mais. As pessoas sabem muito bem que agora é hora de decidir um presidente da República e os candidatos não podem ser candidatos onde você vai votar nos candidatos das maiores rejeições que você tem no Brasil.
RB: O que que diferencia o senhor de Flávio Bolsonaro?
RC: Sou um homem que tem uma história de vida, que tem posições claras. Tenho uma trajetória de defesa do direito de propriedade, da iniciativa privada. Sempre tive a coragem de enfrentar o momento que o Brasil caminhava para uma socialização. Você nunca me viu envolvido em Petrolão, Mensalão, Rachadinha, INSS, Banco Master. Eu sou um homem que tem uma trajetória dentro da medicina respeitada também pelos meus colegas. Sou um homem que governei sabendo respeitar e me curvar à decisão das urnas. Sou homem que acredita na ciência, na pesquisa, na vacina. Sou homem que governei o estado que hoje é referência em inteligência artificial. Sou o primeiro governador que teve a preocupação de saber das minhas riquezas e ser hoje o único no hemisfério ocidental a produzir terras raras pesadas quando ninguém falava nisso no Brasil. Eu sou uma pessoa que estudo, sou uma pessoa que sei da minha responsabilidade e sei que eu tenho que fazer as entregas à população. Eu sei que eu tenho que responder aqui no Rio de Janeiro a essas comunidades que mais sofrem neste momento. Eu vou forreá-las, eu vou libertá-las, eu vou reconquistar esse território para as pessoas de bem. Então, esta é a diferença. Eu sou um homem experimentado. Eu sou um homem que já passei por várias etapas na vida. E, modéstia à parte, eu tenho estatura moral para sentar na cadeira da presidência da República.
RC: Governador, queria falar um pouco dos aspectos internos do PSD, que está um pouco fragmentado. Como é que o senhor vai conseguir unificá-lo?
RC: Se o PSD não tivesse essa coragem, nós teríamos o primeiro turno já igual ao segundo turno. Nós só teríamos os dois candidatos: o PT e o PL. Porque os outros partidos todos, até o partido que eu tinha, não me deu a legenda. Agora o que o Kassab colocou foi muito claro a todos os governadores: ora, o governador, o candidato à presidência da República e o na vice, nós teremos palanques nos estados. Então, o Caiado terá palanque com o Eduardo aqui na cidade do Rio de Janeiro.
RB: Governador, eu queria que o senhor falasse um pouco o que aprendeu no Rio de Janeiro nesse período que residiu aqui.
RC: Na verdade, quando eu saí de Goiás, muito jovem, fui estudar em Belo Horizonte. Fui fazer o vestibular lá no Colégio Estadual Central de Belo Horizonte e logo ali, você sabe como é, não tem praia, você não tem nada. Goiás também não tinha, você tinha que ir para clube. Aí eu consegui um jeito de vir pro Rio de Janeiro. Eu tinha uma tia minha que morava aqui e fiz o meu cursinho de vestibular aqui. Aí entrei na faculdade. Comecei muito cedo também a me dedicar à cirurgia e aí tive a oportunidade de poder ter como professores grandes, o Lúcio Galvão; tive a oportunidade de poder conhecer e conviver com o Pitanguy, com Clementino Fraga Filho. E depois eu cheguei também ao professor Josias de Freitas, que era um exímio cirurgião. E aí, fazendo nessa área cirúrgica, eu resolvi ir para a ortopedia.
RB: Eu queria saber a sua opinião sobre as bets. Como é que o senhor se posiciona em relação a isso?
RC: Olha, eu me posiciono de forma que eu sei que como presidente da República eu terei ali um poder muito grande para poder coibir o que está destruindo a economia desse país, endividando as famílias, levando as famílias hoje ao suicídio, várias pessoas se suicidando, levando a fatos de agressão em casa, violência contra a mulher, tudo criado por isso. É uma doença que está classificada, dentro do Código de Doenças Internacionais, que é exatamente uma ludopatia. A pessoa é dependente daquilo como uma droga.
RB: Governador, para encerrar: qual é a diferença do Caiado da UDR dos anos 80, para o Caiado de hoje?
RC: você tem que medir sua vida não pela popularidade que você tem, você tem que medir sua vida pela coerência com que você leva seus posicionamentos e as suas posições. É isso é que define o exemplo de vida. Se você não constrói isso na sua vida, você não tem como governar, porque você não governa pelo discurso, você governa pelo exemplo de vida. Então, quando hoje um governador do estado, o policial ali colhia as minhas ordens e batia continência a mim, é porque ele sabia que ninguém sabe mais da vida dos outros do que a polícia. Ele sabia da minha vida pregressa. Ele sabe da minha integridade. Então, com isso você tem capacidade de governar. Agora, quando você realmente abre mão disso por algumas vitórias temporárias, você perde a condicionante amanhã de ser uma pessoa capaz de promover mudanças que o Brasil precisa neste momento.