Petrópolis presente no Rio Nature and Climate Week
Impactos dos eventos extremos na vida das pessoas estarão entre as discussões
Por Leandra Lima
Uma das interpretações da palavra vulnerável significa algo sujeito a danos. Esse contexto representa a cidade de Petrópolis, que liderou em 2024 o ranking nacional como local com maior número de ocorrências de deslizamentos e inundações, conforme apontam dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). É com essa percepção que o Instituto Todos Juntos Ninguém Sozinho (TJNS) leva Petrópolis para o evento internacional "Rio Nature and Climate Week", reforçando a importância da criação de políticas de enfrentamento, que segue até o dia 6 de julho. O encontro atrai diversos ativistas, além de artistas e autoridades.
O impacto das tragédias socioambientais no município engloba diversas questões que vão da infraestrutura à saúde mental e física, além da integridade dos indivíduos. Esse recorte também foi apresentado na III Conferência Latino-Americana de Saúde e Educação Ambiental, onde a coordenadora da pasta de pesquisa, Ariel Pontes, apresentou o trabalho "Memória Coletiva e Injustiça Ambiental".
A pesquisa, segundo o TJNS, nasce a partir da análise de questionários realizados em dezembro de 2025 sobre "Qual a marca da sua tragédia?", desenvolvida em conjunto com as pesquisadoras e psicólogas Patricia Reis Firmeza de Souza Lima e Sophia Iglesias Miranda. A pesquisa analisou quais foram os principais impactos visíveis e invisíveis dos eventos climáticos extremos em Petrópolis sob a perspectiva da 'Geração Cidadã de Dados'.
Estímulo
O início dos questionamentos levantados começou a partir de 2020, quando o TJNS, uma organização não governamental, iniciou trabalhos de enfrentamento à fome, à pobreza e ao racismo ambiental, lutando por justiça climática. A atuação ficou mais latente após as tragédias de 15 de fevereiro e 20 de março de 2022, quando a tragédia socioambiental atingiu o município, deixando 235 mortos e cerca de quatro mil desabrigados.
Com isso, começou um debate em diferentes esferas sociais sobre o modelo de cidade em que a região está inserida, pois há um grande histórico de desastres, como o do Vale do Cuiabá, em 2011, que deixou 72 mortos.
Nessa recorrência de eventos climáticos extremos, foi observado por ativistas sociais e organizações políticas que as regiões que mais sofrem com tais problemáticas têm uma característica em comum: a maior parte se encontra em áreas vulneráveis, com maioria da população marginalizada, que sofre com falta de saneamento básico e problemas de infraestrutura.
Outros eventos
O TJNS, na figura de Ariel, também vai integrar o minicurso "Mudanças Climáticas e Interseccionalidades", que vai acontecer no dia 11 de junho, no Instituto Federal do Rio de Janeiro. Nesse debate, a psicóloga aponta que as mudanças climáticas não afetam todas as pessoas da mesma forma.
"Questões relacionadas a gênero, raça, território, renda e acesso a direitos influenciam a exposição aos riscos e a capacidade de adaptação e recuperação diante dos impactos da crise climática", disse.
Olhar sensível
Em outros momentos, a ativista Pamela Mércia, mulher negra e fundadora do Instituto Todos Juntos Ninguém Sozinho, destacou a necessidade de ter um olhar mais humanizado para a causa em uma audiência pública realizada em 2024 na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que discutiu a política climática dentro do estado.
"É importante se ter um plano de adaptação climática em Petrópolis que olhe para o psicológico dessas pessoas, principalmente por conta dos inúmeros casos de ocorrências de deslizamentos, desalojados, vítimas fatais, entre outros", aponta.