Cordão do Bola Preta mantém viva a tradição e a essência do Carnaval carioca

'A banda toca só o que o povo do carnaval gosta', diz presidente

Por Rafael Lima

Precursor do carnaval carioca, Cordão do Bola Preta desfila no sábado de carnaval no Circuito de Blocos de Rua Preta Gil, no Centro do Rio

Ao completar mais de um século de história, o Cordão da Bola Preta permanece como um dos maiores símbolos do Carnaval brasileiro. Fundado em 1918, no Centro do Rio de Janeiro, o bloco atravessou diferentes épocas da folia, resistiu a períodos de esvaziamento do Carnaval de rua e hoje segue como referência absoluta em meio à multiplicação de novos blocos. A cada ano, a multidão vestida de branco com bolas pretas reafirma que tradição e popularidade podem caminhar juntas. Em 2026, o Cordão da Bola Preta volta a tomar as ruas do Centro do Rio no sábado de Carnaval, 14 de fevereiro, reunindo mais uma vez milhares de foliões em torno de sua história e de sua tradição.

Para o presidente do Cordão da Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho, o reconhecimento popular é motivo de emoção e responsabilidade. "Para todos nós nas fileiras do tradicional e icônico Cordão da Bola Preta, é uma alegria muito grande, uma satisfação imensa ver o bloco, depois de 107 carnavais, chegar com tantos blocos novos e com tanta animação e alegria", afirma. Segundo ele, esse cenário reforça a importância da preservação cultural. "Isso é um combustível que nos leva a lutar cada vez mais pela preservação do carnaval tradicional e da cultura."

Divulgação Centro Cultural Cordão da Bola Preta - Pedro Ernesto Marinho, presidente do Cordão do Bola Preta

Papel importante

A trajetória do Bola Preta se confunde com a própria história do Carnaval carioca. Houve momentos em que a festa passou por fases de retração, com poucos desfiles e menor envolvimento popular. Ainda assim, o Cordão nunca deixou de sair às ruas. "O Bola Preta teve um papel muito importante naquele período em que o carnaval esteve bastante pequeno, reduzido, com poucos blocos e poucos acontecimentos, e mesmo assim se manteve", relembra o presidente.

Essa resistência transformou o Cordão em um elo entre gerações. "A gente até diz que o Bola Preta é a ponte que atravessou do Carnaval antigo e dos tempos de ouro até os dias atuais, quando o carnaval voltou com força total", resume Pedro Ernesto Marinho. Essa continuidade ajudou a preservar costumes, repertórios musicais e uma forma de ocupar o espaço público que hoje inspira toda a dinâmica do Carnaval de rua no país.

Ana Carvalho - Presidente Pedro Ernesto Marinho com a primeira-dama Dayse Araújo

 

O sucesso do Bola Preta está diretamente ligado à fidelidade à sua essência. As marchinhas, os sambas tradicionais e os sambas-enredo consagrados seguem como a base do desfile. A banda, uma das mais tradicionais do Carnaval brasileiro, mantém há décadas o mesmo estilo e proposta musical. "Nossa novidade de sempre é a manutenção do carnaval tradicional. A banda toca só o que o povo do carnaval gosta", destaca o presidente.

Mesmo sendo reconhecido como o principal megabloco do Rio de Janeiro, o Cordão aposta na simplicidade como marca. "Alegria, paz, amor e folia são a nossa essência, a nossa tradição", afirma Pedro Ernesto Marinho, reforçando que o compromisso é sempre fazer o melhor para quem acompanha o desfile. "Eu sempre digo que o Bola Preta existe por causa desse povo, dos foliões apaixonados pelo carnaval e pelo Cordão da Bola Preta."

Diversidade

O desfile também se consolidou como um encontro simbólico entre diferentes expressões culturais. As musas e representantes do Cordão ajudam a ampliar esse diálogo com o público. A rainha Paolla Oliveira, a madrinha Maria Rita, a porta-estandarte Leandra Leal, a musa da banda Emanuelle Araújo e a musa das musas Selminha Sorriso representam a diversidade artística que se reúne sob o estandarte do Bola Preta.

Ana Carvalho - A musa da Banda Emanuelle Araújo com a Rainha Paolla Oliveira

Mais do que um bloco, o Cordão da Bola Preta se firmou como patrimônio afetivo e cultural do Brasil. Sua força não está apenas no número de foliões que arrasta, mas na capacidade de atravessar o tempo sem perder identidade. A cada Carnaval, o Cordão reafirma que a tradição não é um olhar para trás, mas uma forma viva de manter a memória em movimento. Enquanto houver foliões dispostos a celebrar com alegria, paz e amor, o Bola Preta continuará abrindo caminhos na maior festa popular do país.