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Rio recebe Congresso Internacional de Cardiologia

Médicos vão poder se atualizar no que há de mais moderno na área de cardiologia, ressaltam Denilson e Olga | Foto: Divulgação

De 03 a 05 de agosto, o Rio de Janeiro recebe a segunda edição do Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D'Or São Luiz, que acontecerá no Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca. Os principais cardiologistas do país, além de convidados internacionais, vão apresentar os avanços no diagnóstico, tratamento e prevenção das doenças cardíacas, que são a principal causa de morte no mundo.

Somente no Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia projeta 220 mil óbitos em 2023; uma morte a cada 90 segundos. Desde as doenças mais comuns, como a hipertensão, a insuficiência cardíaca e a cardiopatia, até as mais raras como a amiloidose cardíaca, juntas, causam o dobro de mortes do câncer, por exemplo. Em entrevista, a diretora de Cardiologia da Rede D'Or, Olga Souza, e o presidente do Congresso, Denilson Albuquerque contam as expectativas para o Congresso, bem como apontam alguns dos avanços que serão destaque na programação.

O que se pode esperar da segunda edição do Congresso de Cardiologia?

Olga: O Congresso é uma oportunidade única que nós, médicos cardiologistas, temos de aprimorar o nosso conhecimento e atualizarmos com toda a informação existente na literatura. A cardiologia é uma especialidade muito ampla, o congresso é um momento que o médico consegue ter uma visão geral de tudo que está acontecendo, e se atualizar com todas as ferramentas novas que existem em diagnóstico e tratamento dentro da cardiologia mundial. E é importante frisar que é um evento gratuito para profissionais da Rede D'Or.

Denilson: Eu acrescentaria que a cardiologia é uma especialidade muito tecnológica, tem muita tecnologia envolvida, imagens e dispositivos principalmente. E o Congresso faz essa ponte, ao apresentar casos reais e o uso da tecnologia para diagnóstico e tratamento. Haverá, inclusive, cursos como o de suporte circulatório, que vai propiciar a estudantes e médicos aprender a usar dispositivos como o de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO).

Uma das mesas do Congresso vai falar sobre o uso da Inteligência Artificial. Como está a incorporação dessa tecnologia na área de cardiologia?

Olga: Teremos uma palestra do Fabio Andrade, diretor da área de inovação da Rede D'Or, que vai mostrar como os recursos de Inteligência Artificial podem nos ajudar a fazer diagnósticos precoces do paciente, e intervir antes que haja complicações, em relação à exames complementares. Hoje, a IA nos ajuda a interagir mais rápido com o paciente, com isso, prevenimos complicações.

Hoje o país passa por uma fase de envelhecimento da população. E, por isso, de uma forma geral, projeta-se que a demanda por serviços médicos aumentará nas próximas décadas. Esse cenário também impactará nos atendimentos cardiológicos?

Olga: Essa mudança na pirâmide populacional brasileira já está exigindo uma atenção ainda maior com a parcela mais idosa. Um exemplo que vai ser bastante discutido no Congresso, é a prevalência, em pessoas com mais de 65 anos, da fibrilação atrial, que é uma arritmia que forma coágulos no coração, que podem se desprender e causar um AVC. Para complicar, 50% dos pacientes podem ter uma fibrilação atrial sem sintomas. E o primeiro ser justamente o AVC. Então muitos estudos estão sendo desenvolvidos em como diagnosticar precocemente essa condição, principalmente naqueles pacientes que têm fatores de risco.

Denilson: Outro tópico que vamos abordar é a obesidade, que é apontada pela OMS como uma epidemia global. Felizmente é uma questão que não é mais vista como um distúrbio alimentar. É entendida e tratada como uma doença que nem hipertensão e diabetes, que envolve mecanismos que ainda não estão muito bem esclarecidos, mas que certamente em pouco tempo teremos um conhecimento maior.

Podemos dizer que é preciso intensificar os esforços com a prevenção?

Denilson: O foco na prevenção é importante em todos os momentos da nossa vida. Principalmente com aquele paciente que já teve arritmia, insuficiência ou infarto, é fundamental ser ainda mais rigoroso com os controles dos fatores de risco, e estimular que esse paciente deixe de fumar, pratique atividade física, reduza o sal da alimentação, que mantenha o peso sob controle. Precisa ser um trabalho contínuo.

Olga: A prevenção só será efetiva se conseguirmos levar informação qualificada e de fácil entendimento à população. Por isso, durante o Congresso, vamos produzir podcasts sobre prevenção e cuidados e deixaremos disponíveis nas mídias sociais da Rede D'Or.