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Neto avalia atos de governo

Prefeito enxerga futuro próspero e ressalta que empresários voltam a confiar em Volta Redonda

Por

Antonio Francisco Neto

Por Sônia Paes

O prefeito de Volta Redonda, Antonio Francisco Neto, faz um balanço do seu mandato atual e fala de projetos que, segundo ele, fazem parte da "reconstrução do município. "Conseguimos avançar muito no trabalho de reconstrução da cidade, mas sabemos que reconstruir é sempre mais trabalhoso que reconstruir", diz Neto, que está no quinto mandato e deve sair candidato à reeleição.

O prefeito ressalta que na área econômica Volta Redonda voltou a crescer. Ele cita as obras de expansão do Sider Shopping e as novas instalações do Royal, no antigo prédio do Extra, na Vila Santa Cecília, como grandes investimentos para aumentar a geração de renda e trabalho para município. "O empresariado voltou a acreditar na cidade, no potencial do nosso povo", comemora o prefeito, apostando em dias melhores para a cidade.

O prefeito fala também sobre áreas como a Saúde, Educação e Segurança Pública. Ele cita projetos como o Hospital da Criança, que está sendo construído no bairro Retiro: "Os andares mais baixos, já que a unidade terá cinco pavimentos, estão ganhando azulejos e pastilhas. Acredito que a alvenaria esteja pronta ainda este ano", resume o prefeito.

Além disso, Neto ressalta que o Hospital São João Batista bateu recorde de cirurgias realizadas em um só ano. O Hospital do Retiro já ganhou 65 novos leitos.

Na área de Segurança Pública, o Chefe do Executivo elenca o programa Segurança Presente e o Proeis (Programa Estadual Integrado de Segurança) como aliados para combater a violência na cidade. "Não tinha nada disso antes da gente assumir", destaca.

Sem deixar de ressaltar a importância da parceria entre o município e o governo do Estado do Rio, ele lembra que quando assumiu o mandato as contas da prefeitura estavam no vermelho: "Encontramos a prefeitura literalmente quebrada, devendo salários de novembro, dezembro e o décimo terceiro aos servidores", resume.

CORREIO SUL FLUMINENSE - Em primeiro lugar, qual o balanço o senhor faz do primeiro ano do governo até os dias atuais?

ANTONIO FRANSCICO NETO - Conseguimos avançar muito no trabalho de reconstrução da cidade, mas sabemos que reconstruir é sempre mais trabalhoso que reconstruir. Diante disso, temos plena consciência de que tem muita coisa a fazer ainda para deixar Volta Redonda como nossa população espera. Os exemplos de avanços, no entanto, estão em todos os setores da administração pública. Quando assumimos, os dois hospitais públicos municipais estavam para fechar as portas. O Hospital São João Batista sob intervenção judicial e o Hospital do Retiro sem administração depois dos escândalos das OSs (Organizações Sociais de Saúde). Hoje, os dois estão funcionando, atendendo, fazendo cirurgias. O Hospital São João Batista bateu recorde de cirurgias realizadas em um só ano. O Hospital do Retiro já ganhou 65 novos leitos. Deixamos de fechar para abrir leitos.

Na segurança pública, implantamos o programa Segurança Presente na Vila Santa Cecília e na Amaral Peixoto. Inauguramos o Proeis (Programa Estadual Integrado de Segurança) nos bairros Retiro e Aterrado, com sucesso, e agora vamos levar para dezenas de bairros. Não tinha nada disso antes da gente assumir.

Na Educação, estava sendo normalizado os alunos comerem meia banana de sobremesa. Isso mesmo: meia banana. Hoje, temos uma merenda de qualidade para nossas crianças.

Encontramos a prefeitura literalmente quebrada, devendo salários de novembro, dezembro e o décimo terceiro aos servidores. Quitadas as dívidas, voltamos a pagar em dia e este ano conseguimos dar um reajuste no salário do funcionalismo. Isso só foi possível graças a um grande trabalho de reequilíbrio das contas. Sobretudo, muito graças ao apoio do governador Cláudio Castro. Sem ele, nada disso seria possível.

CSF: Quais serão as prioridades para os próximos dois anos?

Neto - Com ajuda do governo do Estado, iniciamos uma série de grandes obras em nossa cidade. Estas obras serão concluídas ao longo destes anos. Volta Redonda estava até desacostumada a conviver com grandes obras, depois de quatro anos de abandono.

Vamos nos empenhar muito para acelerar a manutenção: tapar os buracos, deixar o mato cortado, seguir com as obras de contenção de encostas. Vamos recuperar todas as nossas praças. Estamos começando este ano o maior trabalho de asfaltamento das últimas décadas, com 300 ruas para receberem nova pavimentação em diversos bairros.

O que a gente nunca perde de vista é a saúde, que sempre precisa de mais atenção. Já recuperamos nossos dois hospitais, mas vamos terminar o Hospital da Criança, recuperar os postos de saúde, terminar a obra do Cais Conforto e da UPA Santo Agostinho.

Outra preocupação é melhorar o transporte público, sem onerar a população.

CSF- O município vem sendo castigado pelas fortes chuvas que ocorreram no verão desse ano, com alagamentos jamais registrados. A prefeitura tem algum projeto para minimizar os impactos das cheias?

Neto- Antes de mais nada, temos de ressaltar que não fosse um trabalho sem precedentes do Furban no início do nosso mandato, a situação seria muito, mas muito pior. Quando a gente assumiu em 2021, com esse município quebrado, priorizamos salvar vidas. Corremos para arrumas os hospitais e isso todo mundo viu. O que pouca gente viu foi o que fizemos nas áreas mais carentes, nos morros, bairros de periferia. Foram centenas de obras de contenção de encostas, que ajudaram a evitar uma tragédia.

A gente tinha de priorizar. Priorizamos salvar vidas.

O que as pessoas devem entender, é que está chovendo desde o fim de setembro, início de outubro. Chove quase todo dia e chove muito. A gente faz periodicamente a limpeza dos bueiros, a dragagem dos córregos e tudo aquilo que está ao nosso alcance. As obras de engenharia para segurar estas águas nas cabeceiras são muito complexas e caras.

Estamos em busca de parcerias com o Governo federal e estadual para que nos ajudem com projetos e recursos. Sabemos, por outro lado, que principalmente agora as atenções estão voltadas para os municípios mais atingidos, onde as pessoas perderam as casas, onde foram registradas mortes. Ninguém quer que o rio suba, que a rua fique com lama. Mas basta ligar a televisão para gente ver que aqui ainda passamos muito bem por este período de chuvas, quando comparamos com outros pontos do país.

CSF: Nas eleições de 2020, o senhor foi eleito no primeiro turno com 57,20% dos votos. Foram 85.673 votos no total. Essa votação expressiva já o chancela para uma possível disputa pela reeleição?

Neto - Estou muito focado em realizar tudo isso que conversamos até agora. Eleição e reeleição é sempre consequência do trabalho.

CSF: O senhor é tido como um governante que negocia à exaustão quando se trata de economizar para os cofres públicos. Esse quesito seria um dos pontos fortes de seu governo e sucessivas vitórias nas eleições municipais?

Neto - É um quesito que me ajudou a reestruturar as contas da prefeitura, me ajudou a colocar os salários dos servidores em dia. Eu trato o dinheiro público como trato o meu dinheiro.

CSF: Os idosos sempre são prioridade em seus mandatos. Além das viagens, programas sociais e de saúde, a prefeitura tem novos projetos para a terceira idade?

Neto - Em janeiro de 2021 tivemos de reconstruir esse projeto, recolocar nele a credibilidade perdida, atrair novamente a Melhor Idade para nossos programas. Ainda hoje, estamos fazendo buscas ativas para trazer de volta muitos dos nossos alunos, que nos quatro anos da gestão anterior desistiram. Já conseguimos retomar muita coisa mas tem muita gente ainda desgarrada.

Paralelo a esse trabalho de resgate, estamos ampliando as vagas e os serviços oferecidos no Centro de Alzheimer, quero construir no Rima nosso Centro de Longa Permanência para Idosos, que será uma referência para o país.

Tem muita coisa boa para toda a cidade e para a Melhor Idade não seria diferente.

CSF: Na área da Saúde vários projetos estão sendo executados. A Como está o andamento das obras do Hospital da Criança em Volta Redonda? Já tem data de conclusão?

Neto- O Hospital da Criança está a todo vapor. As lajes já foram batidas, paredes já estão sendo erguidas. Os andares mais baixos, já que a unidade terá cinco pavimentos, estão ganhando azulejos e pastilhas. Acredito que a alvenaria esteja pronta ainda este ano.

CSF: Uma das suas promessas de campanha foi fazer o melhor mandato de sua carreira política. O senhor considera que a promessa está sendo cumprida?

Neto- Reconstruir é muito mais difícil que construir. Quem viu Volta Redonda em janeiro de 2021 e vê agora percebe a diferença. E ainda estamos na metade, tem mais dois anos.

CSF: Volta Redonda tem uma área territorial de182,5 km² , menor do que a cidade vizinha Barra Mansa, que tem 547.133 km² . A falta de território sempre foi um problema para a instalação de novas empresas e geração de empregos. Como esse problema está sendo suprido no município?

Neto - A cidade voltou a se desenvolver. O Sider Shopping está fazendo sua expansão, a Rede Royal está crescendo e vai instalar uma nova unidade na antiga Sendas. Os espaços que estavam abandonados estão sendo ocupados, empregos sendo gerados.

O empresariado voltou a acreditar na cidade, no potencial do nosso povo. Claro que a falta de terrenos é um fator complicador, mas estamos abrindo um condomínio industrial no Roma, buscando soluções.

O melhor nisso tudo é que a cidade voltou a crescer economicamente.

CSF: A siderurgia ainda é a grande vocação do município, batizado de Cidade do Aço em virtude da Companhia Siderúrgica Nacional?

Neto - A importância da Siderurgia para Volta Redonda é enorme, mas hoje vemos o comércio e a área de serviços muito fortes também. Estes três pilares, mais o setor de inovação, são responsáveis por fazer nossa economia girar.

CSF: A relação do senhor com a direção da CSN chegou a ser rompida em mandatos anteriores por causa da falta de investimentos por parte da empresa na cidade e pelo pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Como está a relação do Poder Público com a empresa atualmente?

Neto - A relação é muito boa. Seguimos com muito respeito, mas entendendo que a empresa e a cidade só têm a ganhar com o entendimento.

Há investimentos previstos dentro e fora da Usina por parte da direção da CSN. Isso nos deixa muito animados, pois gera empregos renda e melhora a qualidade de vida da população.

A relação é boa e respeitosa.

CSF- O senhor considera que a empresa faz as intervenções necessárias para reduzir o impacto ambiental causado pela Usina Presidente Vargas?

Neto - Está fazendo o que cabe a ela no TAC assinado com a Justiça. Recentemente recebemos no gabinete da prefeitura representantes da empresa que vendeu os novos equipamentos que vão tornar a produção da unidade mais moderna e menos poluente. Esse é o sonho de todo cidadão de Volta Redonda, acredito. Ver a CSN gerando mais emprego e poluindo menos. Esse caminho está sendo trilhado.

CSF: A maioria dos vereadores da Câmara Municipal é da base governista. O quê pode ser atribuído à essa boa relação entre o Executivo e o Legislativo?

Neto - A maioria dos vereadores entende que para reconstruir Volta Redonda temos de ter todas as forças juntas. Eu sou muito grato aos vereadores que nos ajudam, pois sem eles não poderíamos ter chegado até aqui. Depois de quatro anos de um desastre como o que vivemos na gestão anterior, apontar problema é fácil, fazer vídeo mostrando problema é fácil. Difícil é trabalhar para reconstruir. Têm aqueles que gostam de apontar problema e aqueles que querem resolver. Aos que querem resolver, nosso agradecimento.

CSF: Na campanha para a eleição proporcional, o seu irmão Munir Netto conseguiu uma cadeira na Alerj, mas o município ficou sem deputado federal. Qual a sua avaliação?

Neto - Ganhamos muito com a eleição do Munir e em pouco tempo já deu para perceber isso. Sem dúvidas, perdemos muito sem um deputado federal de Volta Redonda no Congresso.