A disputa na família de Benjamin Steinbruch pela CSN tem mais um capítulo. É que Fabiane Steinbruch, viúva de Fábio Steinbruch, morto em 2012, afirma não ter tido qualquer participação no novo acordo societário divulgado, no início desta semana, entre a Rio Purus Participações e a CFL Participações. "Não é exagero. Fiquei sabendo dos fatos através do Google. Estou buscando esclarecimentos junto à administração da CFL", afirmou Fabiane, em entrevista ao jornal "Valor Econômico".
Os irmãos Benjamin, Ricardo e Elisabeth Steinbruch, são representados pela holding Rio Purus, e os primos de Léo e Clarice Steinbruch são da CFL Participações. Eles travam uma briga na Justiça desde 2018. Fabiane detém cerca de 17% do capital da CFL.
Há vários anos a CFL tentava acabar com o acordo, feito há cerca de 30 anos, com a Vicunha, que controla a CSN com 50,3% das ações com direito a voto na siderúrgica, e também é dona do banco Fibra e de uma série de imóveis e fazendas, entre outros ativos.
Com o acordo, a CFL, que detém 40% das ações com direito a voto da Vicunha Steel, passará a ter 10,25% de participação direta na siderúrgica. A Rio Purus, de Benjamin e irmãos, ficará com 40,99% na empresa. Detalhe: O fim do imbróglio que já durava quase cinco anos alavancou as ações da siderúrgica essa semana, que fecharam em alta de 3,52%, a R$ 14,42.
Conflitos
A relação entre Fabiane e a família Streinbruch sempre foi conflituosa e explodiu com a morte do marido. Ela assegurou o direito ao espólio de Fábio após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que colocou ponto final em uma batalha judicial travada contra os cunhados. Com a decisão do STJ, Fabiane ficou com 50% da fatia de Fábio, e o restante foi dividido igualmente entre Léo e Clarice.
Conflito desde o início
O leilão das ações da empresa ocorreu em meio a forte tensão na então Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) em 1993. A siderúrgica foi arrematada por US$ 1,05 bilhão pelo consórcio de investidores formado pelos grupos empresariais privados Vicunha e Bamerindus e pela então estatal Vale do Rio Doce. O acordo de acionistas da família de Steinbruch foi firmado em 1994, um ano após a privatização da empresa.
O município ficou em polvoroza durante o processo de privatização da CSN e dividiu até mesmo a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, conhecido pelo forte movimento sindical e greves históricas. Houve um racha na diretoria e a Força Sindical, de Antônio de Medeiros, que apoiava a venda da CSN, assumiu o sindicato. Em outra frente, a Oposição Sindical, liderada pela CUT, liderava movimento contrário à venda, e acabou sendo alijada do processo.
Marco nacional
A CSN foi criada em 1941 por Getúlio Vargas como parte do acordo com os Estados Unidos que levou o Brasil a entrar na Segunda Guerra Mundial ao lado dos países aliados. A siderúrgica foi pedra fundamental no processo de industrialização nacional, mas a partir da prolongada recessão dos anos 1980, passou a enfrentar grave crise financeira.