☰
✕

PIB: CNI diminui de 2% para 1,6% a projeção de crescimento

Perspectivas menos favoráveis e serviços motivaram a revisão

Por

Entidade passou a prever queda de 0,7% na indústria de transformação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diminuiu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2026. De acordo com o Informe Conjuntural do 3º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (28), a revisão para baixo do desempenho da economia se deve, principalmente, às perspectivas menos favoráveis para a indústria — em especial o segmento de transformação — e os serviços, cujos efeitos devem se sobrepor ao avanço da agropecuária e da indústria extrativa.

"Quando a gente analisa os setores, há uma divisão clara. Os setores em que nós estamos mantendo ou aumentando a projeção de crescimento são segmentos que independem do que a gente chama de ciclo econômico. Não dependem muito da demanda interna e, portanto, não estão muito afetados pela política monetária. Esses são, especialmente, o setor extrativo mineral e a agropecuária. Por outro lado, os setores mais dependentes, mais sensíveis aos juros, que é o caso da indústria de transformação, do comércio e, em alguma medida, os serviços, têm um movimento contrário. Então, quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros", explica Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

A desaceleração da economia deve ser sentida de forma mais intensa pela indústria, cuja expectativa de crescimento foi alterada de 2% para 1,3% — a maior revisão negativa entre os setores. O resultado revela que nem mesmo a expansão da indústria extrativa, estimada em 9,1%, será capaz de compensar o enfraquecimento da indústria de transformação.

O segmento da transformação segue pressionado pela queda da demanda interna, pela piora das condições financeiras das empresas e das famílias — consequência dos juros elevados—, pela entrada substancial de produtos importados e pelo aumento dos custos de produção. Por isso, da projeção de alta de 0,6%, divulgada em julho, a CNI passou a estimar queda de 0,7% do setor para 2026. Embora também sofra com os efeitos dos juros altos e o enfraquecimento da demanda, a indústria da construção teve a expectativa de alta mantida em 1,5%.