Reforma faz empresas revisarem suas estruturas
Marcas contratam consultorias, criam comitês e preparam sistemas
Com a implementação gradual da Reforma Tributária, que prevê a substituição de tributos sobre o consumo, como PIS, Cofins, ICMS e ISS, pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), redes de franquias de diferentes segmentos começaram a revisar suas estruturas fiscais, projetar impactos financeiros e adaptar processos para lidar com as novas regras. As estratégias variam conforme o modelo de negócio, o regime tributário e a composição dos custos, envolvendo desde mudanças contábeis e tecnológicas até a contratação de consultorias especializadas e a orientação aos franqueados.
Para Rodrigo Barbeti, CEO e sócio-fundador do Grupo BLB, especializado em auditoria, consultoria empresarial, tributos e finanças corporativas, o momento é de análise sobre os impactos da Reforma Tributária nos negócios. "As empresas precisam avaliar como as novas regras podem afetar custos, margens e formação de preços, além de considerar se permanecer no Simples Nacional ou optar pelo regime regular de IBS e CBS faz sentido para cada modelo de negócio", afirma o especialista.
Na Maria Brasileira, maior rede de franquias de limpeza residencial e empresarial do país, a preparação envolve a criação de um comitê multidisciplinar e estudos para projetar os impactos da reforma até 2033.
Já a CleanNew, especializada em higienização e impermeabilização de estofados, contratou uma consultoria tributária para revisar sua estrutura fiscal e iniciou mudanças na operação industrial, que passou a adotar o regime de Lucro Real. "A estrutura do nosso negócio exige uma análise aprofundada, considerando a indústria própria e a holding no exterior. Estamos trabalhando com especialistas para adequar a operação às novas regras", explica Fritz Paixão, fundador e CEO.
Na Lavô, maior rede de lavanderias self-service do Brasil, com mais de 700 unidades, a adaptação também passa pela tecnologia. A empresa preparou seu sistema de emissão de notas fiscais para acompanhar as novas exigências e permitir a integração automática com os pagamentos.
Ainda, para Rodrigo Barbeti, CEO do Grupo BLB, as empresas do middle market merecem atenção especial durante a transição tributária, diante da necessidade de adaptar processos e estruturas financeiras a um cenário de mudanças regulatórias. O especialista recomenda uma análise profissional personalizada sobre como essas empresas devem se preparar para o novo modelo, avaliar os reflexos sobre créditos tributários, custos e resultados. "Essa avaliação deve, também, antecipar cenários para orientar decisões de investimento, contratos e preservação de margens, a fim de assegurar a competitividade ao longo da implementação e transição da Reforma Tributária", orienta Barbeti.
Já a Associação Brasileira de Pizzarias (Apubra), que há 23 anos atua no fortalecimento do mercado de pizzarias, também se estrutura para orientar o setor em relação às mudanças tributárias. Segundo Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, a entidade está em fase de negociação para firmar uma parceria com um escritório especializado que prestará assessoria jurídica e fiscal aos associados durante o período de adaptação. Atrelada a essa consultoria direcionada, a associação integrará o tema na programação do Pizza Summit, o maior evento do universo da pizza no país, que acontece no mês de dezembro, em São Paulo (SP), e que contará com uma palestra exclusiva voltada a capacitar toda a comunidade do setor frente aos desdobramentos da nova regulamentação.