Brasil cresce, mas juros altos podem frear empresas
Banco Mundial projeta avanço de 2,1% para o PIB brasileiro em 2026
O Banco Mundial elevou de 1,9% para 2,1% a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2026, mas reduziu de 2% para 1,7% a projeção para 2027. A estimativa também coloca o Brasil abaixo da média projetada para a América Latina e o Caribe, de 2,2% neste ano.
Para o advogado Bruno Medeiros Durão, especialista em Direito Bancário e fundador da DAP Advocacia, o dado mais importante para empresas e consumidores não está apenas na comparação entre os países, mas no efeito que a manutenção de juros elevados pode provocar sobre o crédito.
"O crescimento pode até aparecer nos números, mas, para quem depende de crédito, o custo do dinheiro é determinante. Juros reais elevados tornam financiamentos mais caros, dificultam a renegociação de dívidas e podem fazer empresas adiarem investimentos e consumidores reduzirem o consumo", explica.
O próprio Banco Mundial aponta que as condições monetárias restritivas continuam pesando sobre a demanda doméstica e que os juros reais elevados restringem crédito, consumo e investimentos.
Empresas podem sentir primeiro no caixa
Na avaliação de Bruno, o cenário merece atenção especialmente de empresas que dependem de capital de giro, antecipação de recebíveis, empréstimos ou renegociação de contratos bancários.
"Quando o crédito fica mais caro, a empresa não sente apenas na hora de contratar um empréstimo. O impacto pode aparecer no capital de giro, no custo financeiro e na capacidade de investir e manter o fluxo de caixa saudável", afirma.
O especialista também alerta que a desaceleração econômica pode aumentar a pressão sobre negócios já endividados.
"Em um cenário de crescimento mais fraco, a gestão da dívida passa a ser ainda mais estratégica. Antes de simplesmente contratar um novo crédito para cobrir uma dívida anterior, a empresa precisa avaliar o custo efetivo da operação e as alternativas de renegociação", explica.
E para o consumidor?
Para as famílias, a combinação entre crescimento mais lento e crédito caro pode dificultar a saída do endividamento.
Segundo Bruno, o consumidor deve ter atenção especial ao custo total das operações bancárias, principalmente em modalidades de crédito de juros elevados.
"Em momentos de crédito caro, renegociar não significa necessariamente conseguir uma dívida mais barata. É preciso comparar o custo efetivo da nova operação, o prazo e o valor final que será pago. Uma parcela menor pode esconder um custo total muito maior", alerta.
O problema pode ser maior em 2027
A redução da previsão do Banco Mundial para 2027, de 2% para 1,7%, é um sinal de atenção, segundo o advogado.
"Mais importante do que olhar apenas para o crescimento de 2026 é entender se haverá capacidade de sustentar esse ritmo. Se o crédito continuar caro e o investimento permanecer pressionado, empresas e consumidores podem entrar em 2027 com menos espaço financeiro para consumir, investir e se reorganizar", avalia Bruno.
O relatório do Banco Mundial também destaca que países da região que avançaram em reformas, fortaleceram instituições e criaram condições para o investimento privado vêm apresentando desempenho superior. A instituição projeta crescimento de 2,2% para a América Latina e o Caribe em 2026.