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Agronegócio liga sinal de alerta sobre endividamento

Crédito mais difícil e renegociações pressionam produtores

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Crédito aparece como um dos principais gargalos para 2027

O agronegócio brasileiro chega ao ciclo eleitoral diante de um problema que vai muito além da produção: o aumento do endividamento, a restrição do crédito e a dificuldade de renegociação passaram a ameaçar a capacidade de investimento de produtores e empresas do setor.

O diagnóstico ganhou força após o setor apresentar ao debate eleitoral uma lista de prioridades que inclui financiamento, seguro rural, infraestrutura, política industrial e competitividade internacional. Entre esses pontos, o crédito aparece como um dos principais gargalos, em um cenário no qual bancos estão mais seletivos justamente porque o risco de inadimplência e de recuperação judicial aumentou.

Para Bruno Medeiros Durão, advogado tributarista, especialista em Direito Bancário e fundador da DAP Advocacia, o próximo governo terá de enfrentar o problema não apenas com a criação de novas linhas de crédito, mas com uma política de longo prazo que dê previsibilidade ao produtor e segurança às instituições financeiras.

"O problema do agro hoje não é apenas falta de crédito. É a dificuldade de transformar crédito em uma solução sustentável para quem já está endividado. O produtor precisa de previsibilidade, possibilidade real de reestruturação do passivo e segurança jurídica para continuar produzindo sem colocar todo o patrimônio em risco."

A preocupação ganha relevância diante do avanço das recuperações judiciais no setor. Dados da Serasa Experian apontaram 474 pedidos de recuperação judicial ligados ao agronegócio no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. O levantamento considera produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, além de empresas relacionadas à cadeia do agro.

Ao mesmo tempo, o governo criou mecanismos específicos para tentar reorganizar parte desse passivo. A Medida Provisória 1.376/2026 autorizou linhas para composição de dívidas de produtores que atendam determinados critérios, incluindo casos de perdas provocadas por eventos climáticos ou pela queda dos preços de comercialização. As operações podem ter prazos alongados e condições diferenciadas de juros. O problema, segundo o especialista, é que uma política de renegociação precisa chegar efetivamente ao produtor.