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Ibovespa dispara após eleição e supera 200 mil pontos

Bolsa brasileira avança mais de 8% na manhã desta segunda, enquanto dólar cai abaixo de R$ 5 após resultado do 1º turno

Por Ana Laura Gonzalez

A forte movimentação ocorre após o primeiro turno das eleições, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana em forte alta nesta segunda-feira (5), após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a superar pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos, enquanto o dólar recuou para abaixo de R$ 5.

Por volta das 10h35, o Ibovespa avançava 8,84%, aos mais de 209 mil pontos. Pouco antes, às 10h19, o índice subia 7,98%, aos 207.437,45 pontos, segundo dados divulgados pela Reuters.

No mercado de câmbio, o dólar comercial recuava 4,89% no mesmo horário, negociado a R$ 4,9605. A moeda chegou a registrar mínima de R$ 4,9600 durante a manhã.

A forte movimentação ocorre após o primeiro turno das eleições, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista ficou com 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

O resultado ficou diferente do cenário apontado por parte das pesquisas eleitorais divulgadas antes da votação, que indicavam vantagem de Lula. A diferença na votação passou a ser considerada pelos investidores na avaliação dos possíveis cenários para a segunda etapa da disputa.

Mercado reage ao cenário eleitoral

A reação positiva dos ativos brasileiros já havia aparecido antes da abertura da Bolsa de São Paulo. No exterior, o ETF EWZ, que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, chegou a registrar alta superior a 10% durante a manhã. A valorização também alcançou ações de grandes empresas brasileiras negociadas no mercado americano.

Analistas ouvidos pela Reuters relacionaram o movimento à avaliação dos investidores sobre as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro e às expectativas em torno da política fiscal. A leitura, no entanto, está associada ao cenário eleitoral ainda em aberto, já que o resultado definitivo da disputa presidencial somente será conhecido após o segundo turno.

Além da eleição para presidente, o mercado também considera o novo desenho do Congresso Nacional. O PL elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos no domingo e terá 28 das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027, formando a maior bancada da Casa.

O desempenho eleitoral do partido também alterou a composição política que será considerada pelos investidores na avaliação dos próximos anos, especialmente em relação à tramitação de medidas econômicas e fiscais.

Focus e indicadores econômicos no radar

Além das eleições, os investidores acompanham nesta segunda-feira a divulgação do Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, com as projeções do mercado para inflação, juros, câmbio e atividade econômica.

Também estão no radar indicadores de atividade no Brasil e nos Estados Unidos. Os dados internacionais podem influenciar as expectativas sobre a trajetória dos juros americanos e, consequentemente, o comportamento dos mercados globais.

Bolsas internacionais

O movimento positivo também apareceu em parte dos mercados asiáticos. O Nikkei, do Japão, avançou 2,40%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,28%. Em Taiwan, o Taiex teve alta de 2,55%.

Os mercados da Coreia do Sul e da China continental não tiveram negociação nesta segunda-feira em razão de feriados locais.

A reação dos ativos brasileiros, porém, teve como principal referência o resultado das eleições presidenciais. O desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, combinado à disputa apertada com Lula, passou a concentrar a atenção dos investidores para as próximas semanas.