Os alertas financeiros após a redução do PIB pelo BC
O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A nova estimativa consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (24), que também prevê crescimento de 1,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. A revisão ocorre em um cenário de desaceleração da atividade econômica e de juros ainda elevados.
Segundo o relatório, o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, após alta de 1,1% no primeiro trimestre, enquanto os primeiros indicadores do terceiro trimestre apontam continuidade da perda de ritmo. Na reunião de setembro, o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano, mas o Banco Central destacou que o cenário ainda exige cautela diante dos riscos para a inflação e das expectativas acima da meta.
Para Bruno Medeiros Durão, advogado especialista em Direito Bancário e Tributário e fundador da DAP Advocacia, a combinação de crescimento mais moderado e crédito ainda caro exige que empresas e consumidores tenham mais cuidado antes de assumir novos compromissos financeiros.
"Quando a atividade econômica perde ritmo e o custo do dinheiro permanece elevado, o impacto não fica restrito aos indicadores do PIB. Empresas podem adiar investimentos, consumidores podem reduzir compras financiadas e famílias e negócios já endividados podem enfrentar maior dificuldade para reorganizar o orçamento. Nesse cenário, analisar o custo efetivo do crédito e a capacidade real de pagamento passa a ser ainda mais importante."
O cenário também pode afetar decisões empresariais relacionadas a expansão, contratação de crédito e renegociação de dívidas. Para empresas que dependem de financiamento para manter capital de giro ou realizar investimentos, a combinação entre juros elevados e uma economia crescendo em ritmo menor pode aumentar a necessidade de planejamento do fluxo de caixa.
Outro ponto de atenção é o endividamento. Em momentos de desaceleração, a contratação de crédito sem uma análise adequada das condições do contrato pode comprometer ainda mais o orçamento de empresas e consumidores.
"É importante diferenciar a necessidade de crédito da possibilidade de assumir aquela dívida. Antes de contratar ou renegociar, é preciso verificar juros, encargos, prazo, valor total que será pago e as condições previstas no contrato", explica Bruno.