Banco Central reduz previsão do PIB de 2026 para 1,8%

Relatório do BC aponta desaceleração da economia e estima crescimento de 1,4% para o próximo ano

Por Ana Laura Gonzalez

Banco Central

O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A nova estimativa consta no Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira (24).

A revisão indica uma desaceleração da atividade econômica em relação ao ano passado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 2,3% em 2025.

De acordo com o Banco Central, a redução da previsão incorpora os primeiros indicadores do terceiro trimestre, que apontaram uma atividade econômica mais fraca do que a projetada anteriormente. A autoridade monetária também levou em consideração uma composição considerada menos favorável do crescimento registrado no segundo trimestre.

Juros altos influenciam projeção

A nova estimativa para o PIB ocorre em um cenário de política monetária restritiva. Após cinco cortes consecutivos, a taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano.

A manutenção de juros elevados é utilizada pelo Banco Central como instrumento para reduzir a pressão sobre a demanda e contribuir para a convergência da inflação às metas estabelecidas.

Na avaliação da autoridade monetária, embora o resultado geral do PIB no segundo trimestre tenha ficado ligeiramente acima do esperado, o desempenho positivo esteve concentrado principalmente em setores menos sensíveis ao ciclo econômico, como a agropecuária e a indústria extrativa.

Já segmentos mais dependentes das condições do ciclo econômico e o consumo das famílias apresentaram desempenho abaixo das expectativas.

BC prevê PIB menor em 2027

Para 2027, o Banco Central projeta uma expansão ainda menor da economia brasileira. A estimativa é de crescimento de 1,4% do PIB.

A instituição prevê uma expansão moderada tanto pelo lado da oferta quanto da demanda e considera, entre outros fatores, a manutenção da política monetária em território contracionista.

A projeção também leva em conta a baixa ociosidade dos fatores de produção, um cenário internacional ainda marcado por incertezas e a redução dos estímulos fiscais e de crédito.

O Banco Central prevê ainda uma contribuição menor da agropecuária e da indústria extrativa para o crescimento econômico no próximo ano.

PIB mede atividade econômica do país

O Produto Interno Bruto representa a soma dos bens e serviços produzidos em uma economia durante determinado período e é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar o desempenho econômico de um país.

Um avanço do PIB indica aumento da produção de bens e serviços, enquanto uma retração aponta redução da atividade econômica. O indicador, porém, não mede diretamente a distribuição de renda ou o bem-estar da população.

Com a nova projeção, o Banco Central passa a trabalhar com um cenário de crescimento mais moderado para a economia brasileira em 2026 e 2027, em meio à política monetária restritiva e à redução dos impulsos fiscais e creditícios.