Saúde mental ganha protagonismo nas empresas

Ciência da Felicidade se consolida no mercado como ferramenta corporativa

Por

Criar ambientes de trabalho psicologicamente seguros e combater o avanço do burnout

O Setembro Amarelo amplia, todos os anos, o debate sobre saúde mental e valorização da vida. No ambiente corporativo, a campanha também ajuda a colocar em evidência uma questão que vem ganhando espaço nas estratégias das organizações: como criar ambientes de trabalho que favoreçam a saúde emocional e previnam o adoecimento dos trabalhadores.

A busca por qualidade de vida nas organizações deixou de ser apenas um tema de Recursos Humanos para se tornar uma prioridade estratégica. Parte dessa mudança está relacionada ao avanço de marcos regulatórios voltados à saúde e à segurança no trabalho, como a Lei 14.831/2024, que instituiu o Certificado Nacional de Empresa Promotora da Saúde Mental, e a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que inclui os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais.

O cenário ajuda a dimensionar a urgência do tema. Dados oficiais do INSS analisados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) mostram que os afastamentos relacionados a transtornos mentais passaram de 219.850, em 2023, para 393.670 até novembro de 2025. Entre os casos analisados, os afastamentos associados à síndrome de burnout apresentaram o crescimento percentual mais expressivo, passando de 1.760 registros em 2023 para 6.985 em 2025.

Para atender às exigências do mercado e combater o avanço do estresse e do burnout (síndrome do esgotamento profissional), a Ciência da Felicidade ganha destaque. Fundamentada na neurociência e na psicologia positiva, a área propõe a criação de ambientes de trabalho psicologicamente seguros e sustentáveis.

"Empresas que alinham seus valores às necessidades humanas e reconhecem os aspectos positivos das pessoas favorecem o engajamento, a performance e a retenção de talentos. Superar os desafios de saúde emocional nas organizações demanda lideranças capacitadas e letradas no tema. A felicidade no trabalho precisa ser tratada como cultura e gestão de longo prazo", afirma Andrea Perez, Head do Instituto Felicidade Agora é Ciência (IFAC) e presidente do Congresso Felicidar.

Para a especialista em Psicologia Positiva Andrea Perez, a promoção da saúde mental no ambiente de trabalho exige a implementação de programas estruturados que garantam acesso contínuo a apoio psicológico e psiquiátrico, além de campanhas e treinamentos.

De acordo com ela, esse movimento requer a capacitação de lideranças para atender às reais necessidades dos trabalhadores, combatendo ativamente a discriminação e o assédio, enquanto se assegura a avaliação constante das ações adotadas.

Também fazem parte desse processo iniciativas relacionadas à atividade física, alimentação equilibrada, qualidade das relações profissionais e comunicação interna. Mais do que criar programas isolados, a especialista defende que as empresas estabeleçam políticas permanentes, com canais de escuta, acompanhamento dos resultados e transparência sobre as ações adotadas.

"Além do impacto direto na saúde do trabalhador, a implementação de ambientes psicologicamente seguros reflete na redução de custos operacionais e no fortalecimento da marca empregadora", ressalta Andrea Perez.

O tema será um dos assuntos abordados durante o Congresso Felicidar, que acontece nos dias 26 e 27 de setembro, no Rio de Janeiro, reunindo líderes e especialistas em gestão de pessoas e na Ciência da Felicidade.