Dólar abre em queda a R$ 5,17 de olho no varejo dos EUA e medidas de reciprocidade

Desemprego em baixa e escalada de tensões no Oriente Médio também ditam o ritmo dos mercados financeiros nesta sexta-feira

Por Ana Laura Gonzalez

Enquanto a moeda americana busca fôlego, investidores aguardam a abertura oficial do pregão da B3

O mercado financeiro iniciou as negociações desta sexta-feira (14) sob um cenário de forte dinamismo internacional e atenção redobrada aos rumos da política comercial brasileira. Perto das 9h15, o dólar comercial registrava queda de 0,25%, cotado a R$ 5,1793. Enquanto a moeda americana busca fôlego, investidores aguardam a abertura oficial do pregão da B3, com o Ibovespa programado para iniciar os negócios às 10h, pressionado pelo acumulado negativo da semana.

No cenário doméstico, o governo federal deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos. A medida surge como resposta direta às tarifas comerciais impostas por Washington a produtos brasileiros. Caso avance, a legislação permitirá ao Brasil aplicar à nação norte-americana restrições e tarifas equivalentes às sofridas pelo mercado nacional.

Ainda na agenda econômica interna, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe dados positivos através da Pnad Contínua Trimestral. A taxa de desocupação ficou em 5,4% no segundo trimestre, com recuo do desemprego registrado em 13 estados do país, oferecendo um respiro ao consumo local.

Cenário externo: Varejo americano e o fantasma do petróleo

Nos Estados Unidos, os holofotes estão voltados para a divulgação dos novos dados de vendas no varejo, com expectativa de alta mensal de 0,1% em julho, além da leitura preliminar da confiança do consumidor da Universidade de Michigan.

Paralelamente, o Oriente Médio continua a enviar ondas de choque para as bolsas globais. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, elevou o tom e ameaçou o Irã com um isolamento econômico severo — comparado por ele aos embargos impostos a Cuba e Venezuela —, indicando que a Casa Blanca busca asfixiar Teerã para finalizar o conflito. As falas ocorrem na reta final de quase seis meses de guerra, impulsionando os preços das commodities: o barril do Brent subia 0,54% (a US$ 87,54) e o WTI avançava 0,96% (a US$ 82,03), impulsionados pelo impasse contínuo no estratégico Estreito de Ormuz.

Nas bolsas asiáticas, o encerramento da sessão foi majoritariamente positivo, ainda que contido. Enquanto o índice Nikkei, no Japão, avançou 0,59%, e o Kospi sul-coreano saltou 2,42%, os mercados na China fecharam próximos à estabilidade com cautela na temporada de balanços.