Arrecadação federal bate recorde histórico e soma R$ 264,4 bilhões
Receita Federal atribui resultado ao crescimento da economia, aumento da arrecadação sobre o petróleo e avanço das receitas tributárias
A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas atingiu R$ 264,4 bilhões em junho, estabelecendo o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30).
Na comparação com junho do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 245,5 bilhões em valores corrigidos pela inflação, houve um crescimento real de 7,7%, reforçando a trajetória de expansão das receitas da União.
Segundo a Receita Federal, o desempenho foi impulsionado pela atividade econômica, pelo aumento da arrecadação sobre o setor de petróleo e pela evolução de tributos como contribuição previdenciária, PIS/Cofins, Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Petróleo impulsiona arrecadação recorde
O órgão informou que a valorização internacional do petróleo e a tributação incidente sobre o setor tiveram papel relevante no resultado de junho.
Somente o Imposto de Exportação sobre óleo bruto gerou R$ 3,8 bilhões em arrecadação no mês. Além disso, as chamadas receitas não administradas — que incluem royalties, concessões, participações especiais e compensações financeiras pela exploração de recursos naturais — cresceram R$ 1,2 bilhão no período.
De acordo com a Receita, também contribuíram para o desempenho recolhimentos considerados atípicos de IRPJ e CSLL realizados durante o mês.
Mudanças tributárias também ampliaram receitas
Além do crescimento econômico, a arrecadação foi favorecida por alterações tributárias implementadas nos últimos anos.
Entre as medidas que ampliaram a base de receitas estão a tributação de fundos exclusivos e ativos mantidos no exterior (offshores), mudanças na tributação de incentivos fiscais estaduais, a manutenção da reoneração dos combustíveis, a retomada gradual da contribuição sobre a folha de pagamentos, o encerramento de benefícios fiscais do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), o início da tributação das apostas esportivas, o aumento das alíquotas do IOF sobre operações de crédito e câmbio e mudanças na tributação dos juros sobre capital próprio.
Primeiro semestre também registra maior arrecadação da série
No acumulado de janeiro a junho, a arrecadação federal alcançou R$ 1,6 trilhão em valores corrigidos pela inflação, o maior resultado já registrado para o período.
O montante representa crescimento real de 6,6% em relação ao primeiro semestre do ano anterior, quando a arrecadação somou R$ 1,51 trilhão.
Governo aposta em alta das receitas para cumprir meta fiscal
O avanço da arrecadação é considerado um dos principais fatores para o governo buscar o cumprimento da meta fiscal estabelecida para 2026.
A meta prevê um superávit equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em cerca de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância prevista no arcabouço fiscal.
Pelas regras atuais, o resultado será considerado formalmente atingido caso o governo encerre o ano com saldo entre equilíbrio das contas públicas e superávit de até R$ 68,6 bilhões. Ainda assim, a legislação permite a exclusão de determinadas despesas, como o pagamento de precatórios, do cálculo oficial da meta.
Mesmo com a arrecadação em alta, a projeção do governo indica que o resultado nominal das contas públicas poderá permanecer deficitário ao longo de 2026, embora o objetivo seja cumprir o limite fiscal previsto pelo novo arcabouço.