FGTS vai distribuir R$ 13 bilhões a 138 milhões de trabalhadores

Conselho Curador aprova repasse de 89% do lucro do Fundo de Garantia, com depósitos previstos até o fim de agosto

Por Ana Laura Gonzalez

A distribuição corresponde a 89% do resultado positivo registrado pelo FGTS no ano passado

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou, nesta terça-feira (28), a distribuição de R$ 13,04 bilhões referentes ao lucro obtido pelo fundo em 2025. O valor será dividido entre 138,2 milhões de trabalhadores que possuíam saldo em contas vinculadas até 31 de dezembro de 2025.

A distribuição corresponde a 89% do resultado positivo registrado pelo FGTS no ano passado, quando o fundo encerrou o exercício com lucro de aproximadamente R$ 14,65 bilhões.

Segundo a decisão, os créditos serão realizados até 31 de agosto de 2026, diretamente nas contas vinculadas dos beneficiários. Após o processamento, os trabalhadores poderão consultar os valores pelo aplicativo do FGTS ou pelos canais oficiais da Caixa Econômica Federal.

Quem recebe o lucro do FGTS

Terão direito ao crédito todos os trabalhadores que possuíam contas ativas ou inativas do FGTS com saldo em 31 de dezembro de 2025.

O valor depositado será proporcional ao saldo existente em cada conta. Assim, quanto maior o montante acumulado pelo trabalhador, maior será a parcela recebida.

Para calcular o crédito, basta multiplicar o saldo disponível na conta pelo índice 0,01868341. Na prática, um trabalhador que possuía R$ 1.000 no FGTS ao fim de 2025 receberá aproximadamente R$ 18,68 referentes à distribuição dos lucros.

Rentabilidade supera a inflação

Com a distribuição aprovada, a rentabilidade total das contas do FGTS em 2025 chegará a 6,90%. O percentual supera a inflação oficial medida pelo IPCA, que fechou o ano em 4,26%, garantindo um ganho real de 2,53 pontos percentuais aos cotistas.

Além disso, a remuneração das contas atende ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que o rendimento anual do FGTS não pode ser inferior à inflação oficial.

Dinheiro não poderá ser sacado imediatamente

Embora os valores sejam creditados nas contas vinculadas, isso não significa que o dinheiro ficará disponível para saque automático.

Os recursos seguirão as mesmas regras do FGTS e só poderão ser retirados nas situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria, diagnóstico de doenças graves, saque-aniversário, rescisão por acordo entre empregado e empregador, entre outras hipóteses autorizadas.

Distribuição mantém tradição dos últimos anos

A divisão dos lucros do FGTS tem sido adotada de forma recorrente pelo Conselho Curador. Em 2025, foram distribuídos R$ 12,9 bilhões, equivalentes a 95% do lucro registrado em 2024.

No ano anterior, os trabalhadores receberam R$ 15,2 bilhões. Já em 2023, apesar de o FGTS ter alcançado lucro recorde de R$ 23,4 bilhões, cerca de 65% desse resultado foi destinado às contas vinculadas dos cotistas.

Com a nova distribuição, o governo mantém a política de compartilhar parte dos resultados positivos do fundo, elevando o rendimento das contas dos trabalhadores acima da inflação.