Fazenda estima impacto superior a R$ 2 trilhões de propostas em análise no Congresso

Área econômica vê risco fiscal em projetos que ampliam gastos públicos ou reduzem arrecadação ao longo da próxima década

Por Redação

Segundo integrantes da equipe econômica, os projetos estão entre as principais chamadas "pautas-bomba" em discussão no Legislativo

O Ministério da Fazenda estima que quatro propostas em tramitação no Congresso Nacional possam gerar impacto superior a R$ 2 trilhões nas contas públicas ao longo dos próximos dez anos. Os cálculos consideram tanto o aumento de despesas quanto a redução de arrecadação decorrentes das medidas.

Segundo integrantes da equipe econômica, os projetos estão entre as principais chamadas "pautas-bomba" em discussão no Legislativo. O termo é utilizado para classificar propostas que provocam forte impacto fiscal por criarem novas despesas ou reduzirem receitas do poder público.

De acordo com as estimativas da Fazenda, o maior impacto está relacionado ao Projeto de Lei 5.122/2023, que trata de dívidas rurais. A medida teria potencial de gerar efeito de aproximadamente R$ 1,4 trilhão em dez anos.

Outras propostas monitoradas pela área econômica incluem a PEC 5/2023, conhecida como PEC das Igrejas, com impacto estimado em R$ 100 bilhões no mesmo período; a PEC 14/2021, que trata da aposentadoria dos agentes comunitários de saúde, com custo projetado de cerca de R$ 500 bilhões para a União; e o Projeto de Lei 1.365/2022, que estabelece piso salarial para médicos e dentistas, também estimado em aproximadamente R$ 500 bilhões para os cofres federais.

O governo argumenta que, com exceção da PEC das Igrejas, que resultaria em perda de arrecadação, as demais propostas ampliariam diretamente as despesas públicas e poderiam pressionar ainda mais a dívida pública brasileira.

Nos últimos dias, integrantes da equipe econômica têm manifestado preocupação com o avanço das propostas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que os projetos sejam analisados à luz das regras de responsabilidade fiscal e destacou que o compromisso com o equilíbrio das contas públicas deve envolver tanto o Executivo quanto o Legislativo.

O debate ocorre em meio às discussões sobre a sustentabilidade fiscal do país. Especialistas apontam que o controle dos gastos públicos é um dos fatores considerados importantes para conter o crescimento da dívida pública e criar condições para a redução estrutural das taxas de juros e da inflação.

As propostas seguem em tramitação no Congresso Nacional e ainda dependerão de análise e votação pelos parlamentares antes de eventual aprovação.