Cortes nas agências reguladoras podem prejudicar consumidores

Menos verba e menos fiscais podem afetar a fiscalização de serviços como luz, internet e planos de saúde, aumentando o risco de problemas e cobranças abusivas.

Por Da Redação

Em março, ANEEL alertou governo sobre risco de paralisação de atividades por falta de recursos.

Os cortes sucessivos no orçamento das agências reguladoras acenderam um alerta entre especialistas e entidades ligadas à defesa do consumidor. Responsáveis por fiscalizar serviços essenciais como energia elétrica, telecomunicações, saúde suplementar, transportes e saneamento, esses órgãos enfrentam dificuldades operacionais que podem comprometer a qualidade dos serviços prestados à população.

Segundo dados do governo federal, somente em 2026, o bloqueio no orçamento das agências reguladoras chegou a cerca de R$ 84,6 milhões. Em 2025, os cortes foram ainda maiores, alcançando R$ 456,8 milhões. Já em 2023, o contingenciamento ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão. O cenário levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a apontar um “sufocamento” financeiro dessas instituições nos últimos anos.

Na prática, especialistas alertam que a redução de recursos impacta diretamente a capacidade de fiscalização. Em algumas agências, o número de fiscais disponíveis é insuficiente para acompanhar centenas de empresas reguladas. O resultado pode ser menos inspeções, menor controle sobre reajustes e mais dificuldade para identificar irregularidades.

A advogada Danielle Pires, especialista em Direito Contratual e Agências Reguladoras, afirma que o consumidor é o primeiro a sentir os efeitos desse enfraquecimento institucional. “Quando as agências perdem recursos, o consumidor perde proteção. Menos fiscalização abre espaço para falhas no serviço e até abusos de empresas”, explica.

Segundo ela, o impacto pode atingir diretamente setores essenciais do cotidiano, como conta de luz, internet e planos de saúde. “Com menos fiscalização, pode haver piora na qualidade dos serviços, aumento de interrupções, dificuldades no atendimento ao consumidor e até reajustes pelas agências. O cidadão pode acabar pagando mais caro por um serviço inferior”, afirma.

Além da redução da capacidade técnica, os cortes também podem afetar processos de auditoria, análise de contratos e aplicação de sanções às empresas reguladas. Para Danielle Pires, isso cria um ambiente de menor vigilância regulatória. “Quando as agências enfrentam cortes severos, elas perdem capacidade operacional para realizar inspeções e acompanhamento técnico. Isso favorece irregularidades e reduz a pressão para que as empresas cumpram padrões de qualidade”, destaca.

Mesmo diante desse cenário, a advogada lembra que o consumidor continua protegido pelo Código de Defesa do Consumidor e pela Constituição Federal. Em casos de cobrança abusiva, interrupção indevida de serviços ou falhas graves na prestação, o cidadão pode recorrer à Justiça para pedir reparação e indenização.