Estudo da Empresa de Pesquisa Energética detalha caminho e custos dos combustíveis até chegar nos postos

Saiba quanto refinarias, biocombustíveis, impostos, distribuição e revenda representam no valor final pago por gasolina, diesel, etanol e gás de cozinha no Brasil.

Por Andre Souza

Documento da Empresa de Pesquisa Energética mostra etapas de formação dos combustíveis

O preço pago pelos consumidores nos postos de combustíveis no Brasil é resultado de uma cadeia composta por produção, refino, mistura obrigatória de biocombustíveis, distribuição, revenda e tributos federais e estaduais. Um estudo divulgado em fevereiro pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) detalha como cada etapa influencia no valor final da gasolina, diesel, etanol e gás de cozinha.

Gasolina

Segundo o levantamento, a gasolina comum vendida nos postos é formada por 70% de gasolina "A", produzida nas refinarias, e 30% de etanol anidro, cuja mistura é obrigatória por lei. Dentro do preço final pago pelo consumidor, cerca de 34% correspondem à parcela da Petrobras ou refinarias, 16% ao etanol anidro, 17% aos tributos estaduais e federais, e aproximadamente 14% às margens de distribuição e revenda.

Óleo diesel

No caso do óleo diesel, a composição inclui 86% de diesel A e 14% de biodiesel. A maior parcela do preço final fica com as refinarias e importadores, que respondem por cerca de 51% do valor ao consumidor. O biodiesel representa aproximadamente 12%, enquanto os impostos ficam em torno de 13%. As margens de distribuição e comercialização somam cerca de 24%.

Etanol

O estudo mostra ainda que o etanol hidratado possui estrutura de preço diferente por depender diretamente da produção agrícola. No combustível, cerca de 69% do valor pago pelo consumidor corresponde ao produtor de etanol. Os tributos representam aproximadamente 9%, enquanto distribuição e revenda ficam com cerca de 22%.

GLP

Já no gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, a parcela da Petrobras ou dos produtores equivale a aproximadamente 49% do preço final do botijão de 13 quilos. Os tributos respondem por cerca de 15%, enquanto distribuição e revenda concentram 36%.

A EPE destaca que os preços também sofrem influência de fatores internacionais, como cotação do petróleo, variação do dólar e custos logísticos. Além disso, mudanças tributárias e oscilações no mercado global podem alterar rapidamente os valores repassados aos consumidores.

O levantamento aponta ainda que a participação dos impostos varia conforme o combustível. Na gasolina, a carga tributária é mais elevada devido à incidência de ICMS, PIS/Cofins e Cide. No diesel, o peso dos tributos é menor por causa de políticas voltadas ao transporte de cargas e passageiros.

A publicação da EPE teve como objetivo ampliar a transparência sobre a composição dos preços dos combustíveis e explicar por que reduções nas refinarias nem sempre chegam integralmente aos postos.