Participação feminina em conselhos de empresas sobe para 13,2% no Brasil

Pesquisa com companhias listadas na B3 entre 2010 e 2020 mostra que presença de mulheres em cargos de liderança não alterou desempenho financeiro das empresas e segue abaixo de 15% nas diretorias e conselhos.

Por Andre Souza

Mulheres que ocupavam cadeiras de Conselhos de Administração passou de 7,6% das em 2010 para 13,2% em 2020

A presença de mulheres em cargos de liderança nas empresas brasileiras cresceu na última década, mas segue distante da igualdade de gênero. É o que mostra o estudo “Cracking the Glass Ceiling: Women on Boards of Directors and Executive Boards and Their Impact on Financial Performance”, publicado na revista científica Gender, Work & Organization por Claudia Emiko Yoshinaga, Leticia L. N. Bellato e Nathália Ruggiero Gil.

A pesquisa analisou empresas listadas na B3 (Bolsa de Valores do Brasil) entre 2010 e 2020 para medir a participação feminina em conselhos de administração e diretorias executivas e verificar se a presença de mulheres influencia o desempenho financeiro das companhias.

O levantamento reuniu 2,9 mil observações de empresas brasileiras. As autoras utilizaram modelos estatísticos para relacionar indicadores de governança corporativa com o desempenho de mercado medido pelo Tobin’s Q, indicador usado para avaliar valor de mercado e expectativa futura das empresas.

Os resultados apontaram que a presença feminina não teve impacto estatisticamente significativo sobre o desempenho financeiro das companhias. Segundo o estudo, a participação de mulheres nos conselhos e diretorias não gerou efeitos positivos nem negativos nos resultados financeiros.

Os dados mostram avanço gradual da participação feminina ao longo da década. Nos conselhos de administração, as mulheres ocupavam 7,6% das cadeiras em 2010. Em 2020, o percentual chegou a 13,2%.

Nas diretorias executivas, a participação passou de 7,4% para 12,2% no mesmo período.

Apesar do crescimento, a presença feminina segue reduzida. Em 2020, a média de mulheres por conselho de administração era inferior a uma integrante por empresa. Nas diretorias executivas, a média também ficou abaixo de uma mulher por companhia.

A pesquisa identificou ainda que muitas empresas continuavam sem nenhuma mulher em posições estratégicas. Em 2019, mais da metade das companhias analisadas passou a ter ao menos uma mulher no conselho de administração. Já nas diretorias executivas, a ausência feminina permaneceu predominante ao longo da série histórica.

O estudo também comparou o avanço da diversidade de gênero com o crescimento da presença de conselheiros independentes. Enquanto a participação feminina nos conselhos avançou 5,6 pontos percentuais na década, a presença de membros independentes subiu de 14,9% para 32%.

Segundo as autoras, os dados indicam que não há justificativa econômica para a baixa presença feminina nos cargos de liderança corporativa.