Agropecuária, emprego e serviços sustentam crescimento de 2,3% da economia brasileira em 2025

Levantamento do IBGE mostra safra recorde de grãos, desemprego em 5,6%, inflação de 4,26% e desaceleração da indústria e do consumo das famílias ao longo do ano.

Por Andre Souza

Soja alcançou 166,1 milhões de toneladas exportadas em 2025

O Brasil encerrou 2025 com crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 3,4% registrados em 2024, segundo o levantamento “Indicadores Econômicos do Brasil 2025”, divulgado pelo IBGE na semana passada. O avanço foi sustentado pela agropecuária e pelas exportações, enquanto consumo das famílias, indústria e comércio perderam ritmo ao longo do ano.

As exportações cresceram 6,2%, acima dos 2,8% de 2024. A Formação Bruta de Capital Fixo avançou 2,9%, enquanto a taxa de investimento permaneceu em 16,8% do PIB. Já o consumo das famílias desacelerou de 5,1% em 2024 para 1,3% em 2025.

 

Na agropecuária, a produção nacional de grãos somou 346,1 milhões de toneladas, alta de 18,2% frente às 292,7 milhões de toneladas de 2024. O volume representa novo recorde da série iniciada em 1975. A soja alcançou 166,1 milhões de toneladas, aumento de 14,6%, enquanto o milho registrou 141,7 milhões de toneladas, crescimento de 23,6%.

O Mato Grosso respondeu por 32% da produção nacional de grãos, seguido por Paraná, com 13,5%, e Goiás, com 11,3%. As regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte apresentaram expansão da produção agrícola em 23,6%, 10,2%, 20,5%, 7,6% e 22,7%, respectivamente.

Na pecuária, os abates de bovinos cresceram 8,2%, para 42,9 milhões de cabeças. Os abates de suínos aumentaram 4,3%, enquanto os de frangos avançaram 3,1%. A produção de ovos atingiu 4,95 bilhões de dúzias, alta de 5,7%, no 28º recorde consecutivo da série histórica. A captação de leite subiu 8,5%, para 27,5 bilhões de litros.

A indústria cresceu 0,6% em 2025, abaixo dos 3,1% registrados em 2024. Entre os segmentos, os bens de consumo duráveis avançaram 2,4% e os bens intermediários, 1,4%. Já os bens de capital recuaram 1,5% e os bens de consumo semi e não duráveis tiveram queda de 1,7%.

As indústrias extrativas cresceram 4,9%, enquanto coque, derivados de petróleo e biocombustíveis recuaram 5,3%. Regionalmente, o Espírito Santo registrou alta de 11,6% na produção industrial, e o Rio de Janeiro, de 5,1%. Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte tiveram quedas de 12,8% e 11,8%, respectivamente.

O comércio varejista encerrou o ano com crescimento de 1,6%, nono avanço anual consecutivo. O varejo ampliado variou 0,1%. Entre os setores, móveis e eletrodomésticos cresceram 4,6%, enquanto artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria avançaram 4,5%.

No setor de serviços, o volume cresceu 2,9%, acumulando cinco anos seguidos de expansão. Os destaques foram os serviços de informação e comunicação, com alta de 5,5%, e transportes e logística, com avanço de 2,3%.

Mercado de Trabalho

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação caiu para 5,6%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Em 2024, a taxa havia sido de 6,6%. A população ocupada chegou a 103 milhões de pessoas, crescimento de 1,7% em relação ao ano anterior. O contingente de desocupados recuou 14,5%, para 6,2 milhões de pessoas.

O nível de ocupação atingiu 59,1%, também recorde da série histórica. Entre os empregados do setor privado com carteira assinada, o total alcançou 38,9 milhões de trabalhadores, maior número já registrado. O número de trabalhadores por conta própria passou de 25,5 milhões para 26,1 milhões, alta de 2,4%.

A informalidade recuou de 39% para 38,1% da população ocupada. Entre os segmentos econômicos, os maiores avanços no emprego ocorreram em informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com alta de 6,8%, e em administração pública, saúde e educação, com crescimento de 5%.

Renda

O rendimento médio real do trabalho atingiu R$ 3.694 em 2025, crescimento de 5,8% em relação a 2024 e de 18,6% frente a 2012. A massa de rendimento real chegou a R$ 375,4 bilhões por mês, avanço de 7,7% em um ano e maior resultado da série histórica.

Inflação

A inflação medida pelo IPCA encerrou 2025 em 4,26%, abaixo dos 4,83% de 2024. O grupo habitação teve a maior alta, de 6,79%, seguido por educação, com 6,22%, despesas pessoais, com 5,87%, e saúde e cuidados pessoais, com 5,59%. A energia elétrica residencial subiu 12,31% no ano.

Entre os alimentos, o café moído acumulou alta de 35,65%, enquanto o chocolate em barra e bombom avançou 27,12%. Em sentido oposto, o arroz caiu 26,56% e o leite longa vida recuou 12,87%.

Sobre o levantamento

O levantamento “Indicadores Econômicos do Brasil” do IBGE é divulgado anualmente no mês de maio. A edição enviada reúne os dados consolidados de 2025 e faz parte da série “Estudos e Pesquisas – Informação Econômica”, publicada pelo instituto.