UFRJ lidera projeto para ampliar produção nacional de lúpulo
Pesquisa busca adaptar cultivo ao clima brasileiro, reduzir dependência de importações e expandir cadeia produtiva ligada à indústria cervejeira e farmacêutica.
Pesquisadores da Coppe, instituto de pós-graduação e pesquisa em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lideram um projeto que pretende ampliar a produção nacional de lúpulo e reduzir a dependência brasileira das importações do insumo usado na fabricação de cervejas. A iniciativa é desenvolvida no Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança (Casulo) e busca adaptar o cultivo da planta ao clima tropical brasileiro, com uso de agricultura de precisão e tecnologias de manejo.
O lúpulo é responsável pelo amargor, aroma e estabilidade da cerveja, mas também possui aplicações nos setores alimentício, farmacêutico, cosmético e de etanol. Hoje, a maior parte do produto consumido no Brasil é importada de países como Estados Unidos e Alemanha, onde há apenas uma safra anual.
Segundo os pesquisadores, o objetivo é repetir com o lúpulo um processo semelhante ao ocorrido com culturas como soja e trigo: adaptar a produção às condições brasileiras e ampliar a competitividade do país. “Estamos falando de estruturar uma nova cadeia produtiva no país, integrando desde o cultivo com agricultura de precisão até o processamento industrial e o controle de qualidade em laboratório próprio”, afirmou Amanda Xavier, coordenadora do projeto e pesquisadora do Programa de Engenharia de Produção da Coppe.
Uma das apostas da iniciativa é o uso de suplementação luminosa para compensar as diferenças de fotoperíodo em relação aos países de clima temperado. Com isso, o Brasil poderia alcançar até 2,5 safras por ano.
Os dados do setor mostram o potencial de expansão. Em 2024, a produção mundial de lúpulo foi estimada em cerca de 114 mil toneladas. No mesmo período, o Brasil produziu apenas 81 toneladas, enquanto a demanda interna chegou a aproximadamente 7 mil toneladas. O mercado nacional movimenta cerca de R$ 878 milhões por ano.
Em parceria com a Aprolúpulo, a Coppe elaborou o Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, publicado em março deste ano. O documento reúne informações sobre áreas de cultivo, infraestrutura e potencial produtivo. “Teremos agora dados para planejar locais de cultivo, demandas de infraestrutura e iniciativas de capacitação técnica”, disse Amanda Xavier.
O projeto também prevê a produção de extratos de lúpulo com tecnologia de extração por CO? para diferentes segmentos industriais. A expectativa é que a expansão da cadeia produtiva reduza importações, gere empregos e fortaleça o agronegócio.