Vendas no varejo crescem 0,5% em março e atingem maior nível da série do IBGE
Para os próximos meses, setor mostra preocupação com a revogação da chamada "taxa das blusinhas"
As vendas do comércio varejista brasileiro cresceram 0,5% em março na comparação com fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o setor atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 2000.
Na comparação com março de 2025, o volume de vendas avançou 4%. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o varejo registra alta de 2,4%. Em 12 meses, o crescimento foi de 1,8%.
Em alta
Cinco das oito atividades pesquisadas tiveram crescimento no mês. O segmento de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação avançou 5,7%. Combustíveis e lubrificantes cresceram 2,9%, mesma taxa registrada por outros artigos de uso pessoal e doméstico. Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram alta de 0,7%, enquanto artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria subiram 0,1%.
Em queda
Entre os setores em queda, móveis e eletrodomésticos recuaram 0,9%. Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 1,4%. O segmento de tecidos, vestuário e calçados ficou estável.
No varejo ampliado, que inclui veículos, motos, partes, peças e material de construção, o crescimento foi de 0,3% em março na comparação mensal. Frente a março do ano passado, a alta chegou a 6,5%.
Varejo ampliado
O setor de material de construção avançou 1,6% no mês. Já veículos e motos, partes e peças recuaram 0,6% frente a fevereiro. Na comparação anual, as vendas de veículos cresceram 11,2%, enquanto material de construção teve alta de 5,2%.
Entre as atividades pesquisadas, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação registraram crescimento de 22,5% em relação a março de 2025. Outros artigos de uso pessoal e doméstico avançaram 11,1%. Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram alta de 10,2%.
Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 9,2% na comparação anual. Combustíveis e lubrificantes avançaram 8,2%. Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registraram alta de 1,4%.
Regiões
Regionalmente, 19 das 27 unidades da federação apresentaram crescimento nas vendas em março frente a fevereiro. As maiores altas ocorreram no Maranhão (3,8%), Amazonas (3,7%) e Piauí (3,5%).
Entre os estados com retração, os recuos mais intensos foram registrados na Bahia (-2,2%), Pernambuco (-2,0%) e São Paulo (-1,0%).
O resultado de março sucede variações positivas de 0,4% em janeiro e 0,6% em fevereiro, mantendo o comércio em trajetória de crescimento no início de 2026.
Fim da taxa das blusinhas
Para os meses seguintes. o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) informou que o setor mostra preocupação com a revogação da chamada "taxa das blusinhas"(taxação de 20% sobre compras em plataformas internacionais acima de 50 dólares) e amplia a desigualdade tributária entre produtos nacionais e importados.
A entidade alertou para o risco de redução nas vendas do varejo brasileiro, sobretudo entre pequenas e médias empresas, diante da concorrência com produtos importados. De acordo com o IDV, a medida pode provocar queda na reposição de estoques, afetar a indústria nacional e levar ao fechamento de fábricas ou transferência de produção para países vizinhos.