Aluguéis aumentam em BH, RJ e Porto Alegre; SP desaceleram, aponta FGV

IVAR da FGV sobe 0,52% em abril, com Belo Horizonte liderando a alta acumulada em 12 meses entre as capitais pesquisadas

Por Andre Souza

São Paulo foi a única capital a registrar desaceleração em 12 meses, com a taxa passando de 4,16% em março para 0,86% em abril.

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), divulgado esta semana pela Fundação Getulio Vargas, apontou alta de 0,52% nos preços dos aluguéis residenciais em abril de 2026. Em março, o indicador havia registrado avanço de 0,40%. No mesmo mês de 2025, a variação tinha sido de 0,79%. No acumulado do ano, o índice apresenta alta de 1,87%. Já no acumulado de 12 meses, houve desaceleração de 4,78% em março para 4,49% em abril. Os dados foram divulgados pelo FGV IBRE.

O levantamento mostra alta mensal dos aluguéis nas quatro capitais pesquisadas pelo indicador: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Belo Horizonte registrou a maior variação mensal entre as cidades analisadas, com avanço de 1,17% em abril. Em março, a capital mineira havia registrado alta de 0,56%. No acumulado de 12 meses, o índice da cidade passou de 4,78% em março para 9,68% em abril, a maior taxa entre as capitais acompanhadas pelo IVAR.

No Rio de Janeiro, os aluguéis subiram 0,70% em abril. O resultado representa o quarto mês consecutivo de alta mensal na capital fluminense. Em março, a variação havia sido de 0,54%. Na comparação acumulada em 12 meses, o índice acelerou de 2,60% para 4,82% entre março e abril.

Porto Alegre apresentou alta mensal de 0,40% em abril, após avanço de 0,71% em março. No acumulado em 12 meses, a capital gaúcha registrou aceleração de 6,40% para 7,31%.

São Paulo registrou a menor variação mensal entre as capitais pesquisadas, com alta de 0,32% em abril. Em março, a capital paulista havia registrado avanço de 1,06%. Segundo a FGV, a cidade apresentou a desaceleração mais intensa no ritmo de aumento dos aluguéis no período analisado. No acumulado de 12 meses, São Paulo foi a única capital a registrar desaceleração, com a taxa passando de 4,16% em março para 0,86% em abril.

De acordo com o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, o comportamento do indicador sugere um período de menor volatilidade no mercado de locação residencial. Segundo ele, a manutenção dos juros em patamar elevado continua sustentando a demanda por imóveis alugados, enquanto a restrição orçamentária das famílias limita reajustes maiores nos contratos.

O economista também afirmou que a desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou a influenciar os reajustes dos contratos de aluguel residencial. Segundo Dias, o índice oficial de inflação vem sendo utilizado com maior frequência nas renegociações de contratos.

Outro ponto citado pelo economista é o encerramento do processo de recomposição dos valores dos contratos após a pandemia. Segundo ele, contratos que apresentavam defasagem em relação à inflação acumulada já foram renovados a preços de mercado ao longo de 2023 e 2024, reduzindo a pressão de reajustes represados nos últimos meses.

A FGV destacou que o comportamento de São Paulo teve impacto direto no resultado agregado do indicador nacional. Por ter o maior peso na composição do IVAR, a desaceleração registrada na capital paulista contribuiu para limitar uma aceleração mais intensa do índice nacional, mesmo com o avanço acumulado observado em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

O levantamento

O IVAR acompanha a evolução dos preços de aluguéis residenciais com base em dados  de contratos administrados por empresas do setor imobiliário. O indicador considera os valores efetivamente pagos pelos inquilinos em cada período e utiliza informações das capitais Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. O índice nacional é calculado a partir da média ponderada dessas cidades, utilizando os mesmos pesos adotados nos subitens do IPC-S.

Segundo a FGV, os dados usados na composição do IVAR incluem reajustes periódicos previstos em contrato e renegociações realizadas entre locadores e locatários ao longo da vigência das locações. Um mesmo imóvel pode ser acompanhado em diferentes contratos ao longo do tempo, conforme a dinâmica do mercado imobiliário. O instituto informou que os valores considerados no cálculo do índice correspondem aos montantes efetivamente desembolsados pelos inquilinos em cada período.

A FGV informou ainda que a próxima divulgação do IVAR, referente ao mês de maio de 2026, será realizada em 9 de junho.

FGV