Desemprego sobe para 6,1% no trimestre até março, aponta IBGE
Número de pessoas sem trabalho cresce em relação ao trimestre anterior e informalidade cai de 37,6% para 37,3%.
A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo dados divulgados na quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre anterior, encerrado em dezembro de 2025, a taxa era de 5,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando estava em 7%, houve recuo de 0,9 ponto percentual.
Apesar da alta trimestral, o resultado foi o menor já registrado para um trimestre encerrado em março desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, o indicador não superava 6%.
O número de pessoas desocupadas chegou a 6,6 milhões, alta de 19,6% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas procurando trabalho. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, houve queda de 13%, ou menos 987 mil pessoas.
A população ocupada somou 102 milhões de trabalhadores, recuo de 1% frente ao trimestre anterior. Na comparação anual, porém, houve crescimento de 1,5%, com mais 1,5 milhão de ocupados.
Setores com queda de vagas
Nenhum dos dez grupamentos de atividade pesquisados apresentou aumento no número de ocupados frente ao trimestre anterior. As maiores reduções ocorreram no comércio, que perdeu 287 mil postos de trabalho; na administração pública, com menos 439 mil vagas; e nos serviços domésticos, com retração de 148 mil ocupações. Juntos, os três setores eliminaram mais de 870 mil postos no período.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, cresceram os contingentes de trabalhadores em informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com alta de 3,2%, além da administração pública, que avançou 4,8%. O único recuo anual ocorreu nos serviços domésticos.
Segundo a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, a redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que costumam registrar queda neste período do ano, seja pela retração do comércio, seja pelo encerramento de contratos temporários nas áreas de educação e saúde do setor público municipal.
Trabalho formal e informal
A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores informais. O percentual estava em 37,6% no trimestre anterior e em 38% no mesmo período de 2025.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado, excluídos os trabalhadores domésticos, ficou em 39,2 milhões, sem variação significativa no trimestre. Em relação ao ano passado, houve crescimento de 1,3%, com mais 504 mil pessoas empregadas formalmente.
Já os empregados sem carteira assinada no setor privado recuaram 2,1% no trimestre, chegando a 13,3 milhões. O contingente de trabalhadores por conta própria ficou estável em 26 milhões, mas avançou 2,4% na comparação anual.
Renda média
A massa de rendimento real habitual, que representa a soma das remunerações recebidas pelos trabalhadores, bateu novo recorde e chegou a R$ 374,8 bilhões. O valor ficou estável no trimestre e subiu 7,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O rendimento médio real habitual também alcançou novo recorde, estimado em R$ 3.722. Houve crescimento de 1,6% frente ao trimestre anterior e de 5,5% na comparação anual, já descontada a inflação.
Próxima divulgação
O IBGE informou que os dados referentes ao trimestre encerrado em abril serão divulgados em 28 de maio.
Histórico
A taxa de desemprego no Brasil oscilou nos últimos dez anos. Segundo o IBGE, o índice médio anual foi de 11,5% em 2016, subiu para 12,7% em 2017, recuou para 12,3% em 2018 e para 11,9% em 2019. Com os efeitos da pandemia, voltou a crescer e atingiu 13,5% em 2020, ficando em 13,2% em 2021.
A partir de 2022, iniciou trajetória de queda, passando para 9,3%, depois 7,8% em 2023, 6,6% em 2024 e 5,6% em 2025, o menor resultado da série histórica anual da Pnad Contínua. No dado mais recente, referente ao trimestre encerrado em março de 2026, a taxa ficou em 6,1%.