IGP-M sobe 2,73% em abril e acelera com forte pressão do atacado
O IGP-M avançou 2,73% em abril, segundo a FGV, depois de alta de 0,52% em março. O resultado foi impulsionado principalmente pelo IPA, que registrou forte aceleração nas matérias-primas brutas. No acumulado do ano, o índice soma 2,93% e, em 12 meses, 0,61%.
IGP-M acelera em abril
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 2,73% em abril, depois de registrar alta de 0,52% em março, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com isso, o indicador acumula avanço de 2,93% no ano e variação de 0,61% em 12 meses.
O resultado chama atenção porque o IGP-M é usado como referência em contratos de aluguel, tarifas e reajustes. Para o professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, o que preocupa não é o número acumulado em 12 meses, mas a velocidade recente da aceleração.
IPA-M foi o principal responsável pela alta
O IGP-M é formado por três componentes: IPA, com peso de 60%; IPC, com 30%; e INCC, com 10%. Em abril, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que tem maior influência no cálculo, passou de 0,39% em março para 3,57%.
No estágio de bens finais, a taxa avançou de 0,70% para 1,35%, com destaque para alimentos processados. Já em bens intermediários, houve reversão da queda observada em março, com alta de 1,25% em abril. O maior movimento veio das matérias-primas brutas, que saltaram de 0,58% para 8,13%.
Entre os itens que mais pressionaram o índice estão minério de ferro, bovinos e soja em grão. Em sentido oposto, arroz em casca e aves ajudaram a conter parte da alta.
IPC-M desacelera e INCC-M sobe
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) desacelerou de 0,80% em março para 0,46% em abril. Das oito classes de despesa pesquisadas, cinco tiveram recuo nas taxas de variação, com destaque para habitação, transportes, alimentação, despesas diversas e comunicação.
Por outro lado, houve avanço em educação, leitura e recreação, saúde e cuidados pessoais, além de vestuário. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) subiu 0,59% em abril, acima dos 0,38% de março, com aumento nos custos de materiais, equipamentos e serviços, e também da mão de obra.
Contexto externo pressiona preços
Na avaliação de Renan Silva, o grande vilão da leitura de abril foi o IPA, que disparou influenciado por conflitos geopolíticos e instabilidade internacional. Segundo ele, guerras e tensões globais costumam pressionar preços de energia e matérias-primas básicas.
A FGV informou que o período de coleta de preços para o resultado de abril foi de 21 de março a 20 de abril. O comportamento do índice reforça a sensibilidade do IGP-M aos choques no atacado, especialmente em momentos de volatilidade global.