Investidores chegam a 36% no Brasil, com avanço desde 2021 e estabilidade em 2025

A poupança segue como o produto mais utilizado, presente em 22% da população em 2025

Por Andre Souza

Em 2025, 6% dos brasileiros investiram em ações e fundos imobiliários alcançaram 3%, segundo Raio X da Anbima

O número de brasileiros com investimentos financeiros chegou a 36% em 2025, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. O percentual representa avanço em relação a 2021, quando era de 31%, mas indica leve recuo frente a 2024, quando havia atingido 37%, apontando estabilidade no último ano.

Os dados fazem parte da 9ª edição do Raio-X do Investidor Brasileiro, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e mostram a evolução da relação da população com o dinheiro ao longo dos últimos cinco anos.

A parcela de pessoas que conseguiu economizar passou de 27% em 2021 para 33% em 2025, mantendo o mesmo patamar observado em 2024. Já o percentual de brasileiros que realizaram algum tipo de investimento ao longo do ano atingiu 24% em 2025, acima dos 18% registrados em 2021 e pouco superior ao nível de 2024, consolidando o maior valor da série histórica.

Apesar do avanço, o Brasil ainda tem maioria fora do mercado financeiro. Em 2025, 64% da população não possuíam investimentos, proporção que se mantém elevada e próxima dos anos anteriores. Entre essas pessoas, 55% não guardam dinheiro de nenhuma forma.

A principal barreira continua sendo a renda. Em 2025, 82% dos que não conseguem poupar apontam dificuldades financeiras como motivo, aumento em relação a 2021, quando esse índice era de 75%. O dado reforça a influência das condições econômicas sobre o comportamento financeiro.

Entre aqueles que conseguem economizar, o padrão de comportamento também apresenta mudanças ao longo do tempo. Cortar gastos com lazer segue como principal estratégia, citado por 44% dos entrevistados, em linha com anos anteriores. Já o hábito de guardar parte do salário cresceu de 11% em 2021 para 20% em 2025, mostrando maior presença de planejamento financeiro.

Produtos financeiros

O destino do dinheiro economizado também se mantém relativamente estável. Em 2025, 38% aplicaram em produtos financeiros, proporção semelhante à de 2024, enquanto 19% apenas guardaram os recursos sem aplicação. A compra de imóveis aparece com 7%, sem grandes variações no período recente.

A poupança segue como o produto mais utilizado, presente em 22% da população em 2025, com leve recuo em relação a 2024. Entre os investidores, a queda é mais expressiva: a participação da caderneta passou de 75% em 2021 para 61% em 2025. Em 2024, esse percentual já havia mostrado redução, indicando uma tendência contínua.

Ao mesmo tempo, outras modalidades cresceram. Os títulos privados passaram de 8% em 2021 para 20% em 2025, com avanço consistente também em relação a 2024. Os fundos de investimento subiram de 9% para 14% no mesmo intervalo, consolidando a diversificação das carteiras.

Em 2025, 6% dos brasileiros investiram em ações, enquanto os fundos imobiliários alcançaram  3% da população. Outros ativos desse segmento, como ETFs e BDRs, somaram de 2%. Em relação a 2021, houve leve crescimento, mas os percentuais se mantêm estáveis frente a 2024, indicando que esse tipo de investimento ainda está concentrado em uma parcela menor da população e não acompanha o avanço observado em produtos de renda fixa.

Educação financeira

O acesso à informação sobre investimentos também mudou. O YouTube se manteve como principal canal ao longo de todo o período analisado, citado por 35% dos investidores em 2025. O Instagram aparece na sequência, com 27%. Já a televisão perdeu espaço, caindo de 34% em 2021 para 21% em 2025, mantendo trajetória de queda também em relação a 2024.

Entre as novidades, o uso de inteligência artificial surge como novo canal de informação, citado por 9% dos investidores em 2025, superando meios tradicionais como e-mail e Facebook.

Em 2025, 21% da população afirmaram já ter participado de cursos ou atividades sobre o tema, proporção próxima à observada em 2024 e ainda considerada baixa. Entre investidores, o índice chega a 33%, enquanto entre não investidores permanece em 14%.

Estresse financeiro

Cerca de um terço da população gasta mais do que ganha, proporção semelhante à de 2024. O nível de estresse financeiro se manteve estável: 47% apresentam alto estresse, praticamente o mesmo patamar do ano anterior.

Em relação à reserva de emergência, 69% afirmaram ter algum valor guardado em 2025, indicador que se mantém próximo ao de 2024. No entanto, 43% dizem que o dinheiro seria suficiente por no máximo seis meses, revelando limitação na capacidade de enfrentar imprevistos. Quase um terço não possui qualquer reserva.

Planejamento

O planejamento para aposentadoria também apresenta pouca evolução. Em 2025, 60% dos não aposentados afirmaram que dependerão do INSS na aposentadoria, aumento em relação a 2022, quando o índice era de 51%. Já a parcela que iniciou uma reserva caiu ao longo do tempo, atingindo 16% em 2025, o menor nível da série.

Público

O levantamento também mostra diferenças por gênero e faixa etária. Os homens têm maior presença entre os investidores, principalmente em produtos mais diversificados e no uso de ferramentas digitais. Entre os que utilizam inteligência artificial para apoiar decisões financeiras, 67% são homens, enquanto 33% são mulheres. Já entre elas, há maior concentração em aplicações consideradas mais conservadoras.

Em relação à idade, os investidores mais jovens apresentam maior diversificação de carteira e maior uso de canais digitais, enquanto os mais velhos tendem a concentrar recursos em modalidades tradicionais e apresentam menor participação em novas ferramentas de investimento.

Segundo a Anbima, para 2026, a expectativa é de crescimento moderado no número de investidores. Cerca de 23,2 milhões de pessoas que ainda não investem afirmaram que pretendem começar, número superior ao de 2024, quando eram 18 milhões. Ao mesmo tempo, 14,5 milhões indicaram intenção de deixar de investir, patamar estável em relação ao ano anterior. Caso as intenções se confirmem, o saldo será positivo em aproximadamente 8,7 milhões de novos investidores.