Economia prateada movimenta trilhões e redefine mercado consumidor no Brasil

Com população mais longeva e ativa, áreas como saúde, turismo, tecnologia, moradia e bem-estar seguem em tendências de alta

Por Andre Souza

Público 60+ tem investido mais em saúde, turismo, tecnologia, moradia e bem-estar.

O envelhecimento da população brasileira tem mudado  o perfil do consumo e aberto novas oportunidades de negócios. Segundo o IBGE, 56 milhões de pessoas tem 50 anos ou mais e estão cada vez mais ativas, independentes e conectadas. Com isso, a chamada economia prateada — conjunto de atividades econômicas voltadas às necessidades desse público — ganha protagonismo no país.

Dados divulgados pela Agência Brasil e pelo Sebrae Nacional indicam que a economia prateada movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil e reúne 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos. O avanço desse mercado acompanha o envelhecimento da população e a permanência de pessoas maduras em atividade econômica, seja como consumidores, seja à frente de negócios próprios.

Levantamento publicado pelo Sebrae Play aponta que consumidores com 50 anos ou mais representam uma das principais oportunidades de crescimento para pequenos negócios. O público maduro ganhou relevância no mercado por concentrar renda, manter rotina ativa e ampliar a demanda por produtos e serviços voltados à qualidade de vida, praticidade e conveniência.

O perfil desse consumidor também mudou nos últimos anos. Pesquisa citada pelo Sebrae mostra que 72% das pessoas desse grupo se consideram digitais, enquanto 56% afirmam ter rotina movimentada. Os dados indicam maior familiaridade com tecnologia, uso crescente de plataformas online e busca por soluções ágeis no dia a dia.

 

Nichos em expansão

Com a transformação do perfil demográfico e de consumo, alguns setores aparecem entre os mais promissores para empresas e empreendedores, como saúde e bem-estar, turismo e lazer, moradia e acessibilidade, moda, beleza e autocuidado, tecnologia e inclusão digital e educação continuada.

A área da saúde inclui serviços médicos, planos de saúde, academias adaptadas, fisioterapia, nutrição, exames preventivos e terapias ligadas à longevidade saudável estão entre os segmentos de maior demanda.

No turismo, viagens em baixa temporada, cruzeiros, roteiros culturais, hospedagens acessíveis e experiências personalizadas registram crescimento entre consumidores com maior flexibilidade de agenda.

No segmento de tecnologia e inclusão digital, celulares com interfaces simplificadas, telemedicina, aplicativos intuitivos, dispositivos vestíveis e cursos de tecnologia ampliam espaço no mercado.

Na área de moradia e acessibilidade, reformas residenciais, automação, móveis ergonômicos, iluminação inteligente e adaptações de segurança também ganham relevância.

O público idoso também tem se preocupado cada vez mais com moda, beleza e autocuidado, o que impacta o mercado de roupas confortáveis, cosméticos para pele madura, estética preventiva e produtos voltados ao bem-estar.

Sobre educação continuada, os cursos livres, de idiomas, de capacitação profissional e de programas universitários para terceira idade refletem a busca por atualização e aprendizado contínuo.

Apesar do potencial econômico, parte das empresas ainda não direciona produtos, serviços e comunicação para esse público. Barreiras como atendimento inadequado, plataformas digitais pouco acessíveis e falta de adaptação em ambientes físicos seguem entre os desafios apontados pelo setor.

Empreendedorismo maduro cresce

Além do consumo, cresce também a presença de pessoas acima dos 60 anos no empreendedorismo.

De acordo com o Sebrae, muitos transformam experiência profissional acumulada em negócios nas áreas de consultoria, alimentação, comércio, turismo e serviços. O total de 4,5 milhões de empreendedores seniores reforça o avanço desse movimento no país.