Conta de luz deve ficar mais cara em 8 regiões após aumento nas distribuidoras

Aneel aprova aumentos em concessionárias de energia de diferentes regiões do país; altas chegam a mais de 15% em algumas áreas

Por Andre Souza

Consumidor deve sentir alta de energia elétrica residencial nos próximos meses

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta quarta-feira (22) reajustes tarifários para distribuidoras de energia elétrica de diferentes regiões do país, em meio ao impasse sobre a edição de uma medida provisória (MP) que vinha sendo discutida pelo governo federal para reduzir o impacto da alta nas contas de luz em 2026. Sem uma solução emergencial, os novos índices passam a valer de acordo com o calendário regulatório de cada concessionária.

Os maiores aumentos autorizados pela agência ficaram com a CPFL Santa Cruz, com reajuste de 15,12%, seguida pela CPFL Paulista, que atende parte do interior de São Paulo, com 12,13%, e pela Energisa Mato Grosso do Sul, com 12,11%.

Também foram aprovados reajustes de 7,23% para a Energisa Sul-Sudeste, 6,86% para a Energisa Mato Grosso e para a Energisa Sergipe, 5,85% para a Neoenergia Coelba (Bahia), 5,78% para a Enel Ceará e 5,40% para a Neoenergia Cosern, no Rio Grande do Norte.

A decisão atinge milhões de consumidores residenciais, comerciais e industriais. Em muitas áreas de concessão, os novos valores já começam a aparecer nas próximas faturas emitidas pelas distribuidoras.

Governo tentou evitar

Nos bastidores, o governo avaliava editar uma MP para aliviar os reajustes previstos ao longo do ano, diante da preocupação com o impacto inflacionário e político do aumento da energia elétrica. A proposta estudava mecanismos para compensar encargos setoriais e reduzir repasses imediatos ao consumidor. No entanto, divergências internas e dificuldades fiscais impediram o avanço da medida antes da reunião da Aneel.

Os reajustes anuais das distribuidoras levam em conta fatores como custos de compra de energia, transmissão, encargos setoriais, inflação e componentes financeiros de ciclos anteriores. Segundo a agência reguladora, "a recomposição tarifária é necessária para manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e assegurar a continuidade da prestação do serviço".

O aumento da conta de luz é considerado um tema sensível para o governo federal no atual cenário de desaceleração econômica e pressão sobre o custo de vida. A expectativa é que novas propostas para conter tarifas ainda podem surgir nas próximas semanas.

Bandeira tarifária

Atualmente, a bandeira tarifária em vigor no país é a verde, sem cobrança adicional nas contas de luz durante abril. O mercado agora aguarda a divulgação da bandeira referente ao mês de maio, prevista para sexta-feira, 24 de abril, quando a Aneel anunciará se haverá manutenção das condições atuais ou eventual cobrança extra aos consumidores.