Estudo: um em cada cinco brasileiros já apostou em bets
Raio X sobre o investidor brasileiro feito pela ANBIMA será atualizado essa semana
O Brasil tem cerca de 59 milhões de investidores, o equivalente a 37% da população com 16 anos ou mais, segundo a 8ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha.
O estudo mostra aumento de 1% no número de pessoas que investem no país se comparado ao levantamento anterior, onde 36 % das população tinha alguma tipo de investimento. O perfil do investidor ainda é concentrado em alguns grupos específicos e com forte presença de aplicações mais simples.
O levantamento indica que o investidor brasileiro está concentrado principalmente na classe C. Esse grupo reúne a maior parte da população e também a maior parte dos investidores. Mesmo com o avanço do acesso a produtos financeiros, a entrada no mercado ainda depende de renda e estabilidade financeira. Entre os que não investem, os principais motivos continuam sendo falta de renda disponível e falta de conhecimento sobre produtos financeiros. Por isso, a poupança segue como o principal destino do dinheiro de grande parte da população.
Homens x Mulheres
O estudo aponta que os homens ainda são maioria entre os investidores, com 55% a 60% do total, enquanto as mulheres representam 40% a 45%. Porém, a participação feminina vem crescendo nos últimos anos. As mulheres concentram mais investimentos em produtos de menor risco, como renda fixa, enquanto os homens têm maior presença em aplicações de maior risco, como ações e fundos mais voláteis.
Renda
A renda continua sendo um dos principais fatores para determinar quem investe no país. Famílias com maior renda conseguem aplicar em mais tipos de produtos e diversificar os investimentos. Já famílias de menor renda concentram aplicações na poupança ou não conseguem investir com frequência.
Mesmo entre investidores, a poupança ainda é o produto mais utilizado. Isso mostra que o comportamento mais conservador continua presente no país.
Ao mesmo tempo, cresce o uso de fundos de investimento e produtos de renda fixa com mais variedade. Esse movimento está ligado ao maior uso de plataformas digitais e aplicativos de bancos., que oferecem conta que acompanham o CDI.
Aplicativos
O estudo mostra que aplicativos de bancos e plataformas digitais são hoje o principal meio de acesso aos investimentos. O atendimento presencial perdeu espaço ao longo dos últimos anos. Com isso, mais pessoas passaram a ter acesso a produtos financeiros. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que nem sempre o aumento do acesso vem acompanhado de conhecimento sobre os produtos utilizados.
Apostas esportivas
Pela primeira vez a pesquisa da Anbima passou a incluir dados sobre apostas esportivas, conhecidas como bets. O estudo mostra que parte da população já usa dinheiro de forma recorrente nesse tipo de aposta. Em alguns casos, valores que poderiam ser usados para consumo ou para guardar dinheiro acabam sendo direcionados para apostas online. Os dados também mostram que 1 em cada 5 brasileiros já realizou algum tipo de aposta online, equivalente a 20% dos entrevistados.
O levantamento também identifica crescimento do interesse por esse tipo de atividade entre os mais jovens.
Estresse financeiro
O estudo traz um indicador de estresse financeiro, que mede o nível de preocupação das pessoas com dinheiro, dívidas e pagamento de contas.
Os dados mostram que 40% a 45% da população entrevistada apresenta algum nível de estresse financeiro. Esse cenário é mais frequente entre famílias de menor renda, mas também aparece em outros grupos. Entre os fatores estão a falta de reserva financeira, o custo de vida elevado e o uso de crédito para despesas do dia a dia. Isso reduz a capacidade de poupar e investir.
Atualização
A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro está prevista para ser apresentada pela Anbima no próximo dia 23 de abril.