Governo prevê salário mínimo de R$ 1.717 em 2027, alta de 5,9%

Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano que vem projeta reajuste acima da inflação no piso nacional, que hoje é de R$ 1.621, mas valor ainda pode ser revisto até 2026 com base na inflação e no PIB.

Por Andre Souza

Entre 2017 e 2026, salário mínimo saiu de R$ 937 para R$ 1.621

O governo federal enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 com a previsão de que o salário mínimo chegue a R$ 1.717 no próximo ano. O valor consta nas estimativas oficiais utilizadas para a construção do Orçamento da União e ainda pode ser alterado até a definição final, prevista para o fim de 2026, quando serão conhecidos os índices fechados de inflação.

Atualmente, o salário mínimo está fixado em R$ 1.621. Caso a projeção se confirme, o reajuste nominal será de R$ 96, o que representa uma alta de  5,9% em relação ao piso vigente. O cálculo segue a política de valorização do salário mínimo, que combina a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, além de respeitar os limites do novo arcabouço fiscal.

Segundo as estimativas incluídas no PLDO, o aumento do salário mínimo reflete o cenário de inflação controlada e crescimento econômico moderado previsto para os próximos anos. O governo utiliza esse indicador como base central para projetar despesas obrigatórias e orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que será enviada posteriormente ao Legislativo.

O salário mínimo tem peso decisivo nas contas públicas, já que serve de referência para diversos benefícios e gastos obrigatórios, como aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial. Segundo estimativas da área econômica, cerca de metade dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social são diretamente vinculados ao salário mínimo.

A proposta ainda será analisada pelo Congresso Nacional, que pode fazer ajustes antes da aprovação final da LDO. O texto é considerado uma das peças mais importantes do planejamento fiscal do país, pois define as bases para o Orçamento de 2027 e orienta as prioridades de gasto do governo federal no próximo ciclo econômico.

Histórico

O salário mínimo no Brasil acumula alta nominal de  73% nos últimos 10 anos, entre 2017 e 2026, passando de R$ 937 para R$ 1.621, segundo dados oficiais e estimativas consolidadas do período. No mesmo intervalo, a inflação medida pelo INPC avançou  entre 60% e 65%, o que indica um ganho real moderado do poder de compra ao longo da última década, ainda que com variações significativas ano a ano.

A trajetória do piso nacional, no entanto, não foi linear. Em 2017, o valor era de R$ 937. Em 2018, passou para R$ 954, com reajuste de 1,8%, abaixo da inflação de cerca de 2,1%. No ano seguinte, em 2019, subiu para R$ 998, também com ganho real limitado frente ao INPC. Em 2020, o salário mínimo chegou a R$ 1.045, praticamente acompanhando a inflação do período.

Em 2021, o piso foi fixado em R$ 1.100, novamente com reajuste próximo ao INPC. Já em 2022, o valor avançou para R$ 1.212, em um ano de inflação elevada, quando o índice superou 10%, resultando em recomposição mais forte do poder de compra. Em 2023, o salário mínimo passou para R$ 1.320, com ganho real mais consistente diante de uma inflação mais moderada.

Nos anos seguintes, a trajetória seguiu em alta. Em 2024, o valor foi para R$ 1.412, e em 2025 alcançou R$ 1.518. Em 2026, o piso nacional chegou a R$ 1.621, consolidando um ciclo recente de reajustes mais previsíveis e alinhados às regras fiscais em vigor.