Receita Federal aponta alta de R$ 237,2 bilhões na carga tributária da União em 2025

Avanço foi puxado por IOF e IRRF e levou arrecadação ao maior nível da série histórica

Por Andre Souza

Superintendência da Receita Federal, em Brasília

A Receita Federal do Brasil divulgou que a carga tributária da União aumentou R$ 237,2 bilhões em 2025, impulsionada pelo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). O resultado é um novo recorde histórico e reforça a tendência de expansão das receitas federais no país.

O desempenho foi influenciado por mudanças em regras tributárias ao longo do ano e pelo avanço da atividade econômica, que ampliou a base de incidência de tributos. O IOF ganhou destaque após ajustes em alíquotas e maior volume de operações de crédito e câmbio, enquanto o IRRF avançou com a expansão da massa salarial, dos lucros e dos rendimentos de aplicações financeiras.

Com isso, a arrecadação federal atingiu o melhor nível da série histórica iniciada em 1995, consolidando a União como principal responsável pelo aumento da carga tributária no período. A elevação ocorre em meio aos esforços do governo para reforçar o caixa e cumprir metas fiscais, em um cenário de busca por maior equilíbrio das contas públicas.

Por que saber isso?

Carga tributária é o total de impostos, taxas e contribuições arrecadados pelo governo em relação à riqueza gerada pelo país, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB). O indicador mostra qual parcela de tudo o que a economia produz é destinada ao pagamento de tributos, sendo uma das principais referências para avaliar o peso dos impostos na vida dos brasileiros.

Para o advogado tributarista Ricardo Maito, apesar de a proporção entre carga tributária e PIB não ter apresentado mudanças significativas em termos percentuais, o volume arrecadado cresceu de forma relevante em termos nominais e o cenário exige uma análise mais ampla.

“É relevante destacar que a relação PIB e carga tributária no Brasil é superior àquela verificada em países como EUA e Suíça, e se aproxima da média dos países da OCDE, que tem variado entre 33% e 34% nos últimos anos”, afirma.

O especialista também destaca o perfil da tributação brasileira, marcado por maior incidência sobre o consumo. “Outro dado relevante é o nível de carga tributária associado ao consumo de bens e serviços em detrimento da tributação da propriedade e da renda. Esses dados revelam um sistema tributário bastante regressivo, porque tributa fortemente o consumo e, por via de consequência, repercute mais fortemente no custo das famílias de baixa e média renda." - comenta Maito.

Entenda

Em 2025, a carga tributária total do Brasil ficou em cerca de R$ 3,5 trilhões a R$ 3,7 trilhões, o que corresponde a aproximadamente 32% a 34% do PIB. Esse valor representa tudo o que União, estados e municípios arrecadaram em impostos, taxas e contribuições.

Já as despesas do governo geral (incluindo União, estados e municípios) ficaram em um patamar superior, estimado entre R$ 4,5 trilhões e R$ 5 trilhões, considerando gastos com Previdência, salários, saúde, educação, benefícios sociais e outras obrigações.

Mesmo com a arrecadação elevada, o volume de despesas foi maior, o que fez com que as contas públicas fechassem no vermelho. Esse desequilíbrio caracteriza o déficit fiscal, obrigando o governo a recorrer ao endividamento para cobrir a diferença entre o que arrecada e o que gasta, especialmente diante do peso dos gastos obrigatórios e dos juros da dívida pública.

Na prática, esse endividamento ocorre por meio da emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional. Esses papéis são vendidos a investidores, bancos e fundos, que emprestam recursos ao governo em troca de remuneração futura com juros. Assim, o governo consegue obter recursos imediatos para fechar suas contas, ao mesmo tempo em que aumenta o estoque da dívida pública.