Pagamento com cheque representa 0,5% no Brasil, diz Febraban
Levantamento aponta que uso do cheque caiu 18% em 2025 diante do avanço do Pix e dos meios digitais de pagamento no país.
O uso de cheques continua em queda no Brasil e já representa apenas 0,5% das operações de pagamento realizadas no país, segundo levantamento divulgado esta semana pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em 2025, foram compensados 112,5 milhões de cheques, volume 18,2% menor do que o registrado no ano anterior, reforçando a migração dos brasileiros para meios digitais.
O estudo tem como base dados da Compe (Serviço de Compensação de Cheques), sistema responsável pelo processamento e liquidação desses documentos no sistema bancário nacional. De acordo com o levantamento, o volume financeiro movimentado por cheques somou R$ 472,7 bilhões em 2025, queda de 9,64% em relação a 2024.
Na comparação histórica, a redução é ainda maior. Desde 1995, quando foram compensados 3,3 bilhões de cheques no país, a utilização do instrumento recuou 96,6%, mostrando a transformação no comportamento financeiro da população.
Apesar da retração, o tíquete médio das operações aumentou e chegou a R$ 4.199,77 no ano passado, indicando que o cheque passou a ser utilizado principalmente em transações de maior valor, negociações comerciais específicas e como forma de garantia em contratos.
“A queda consistente no uso do cheque reflete a consolidação dos meios digitais no dia a dia do brasileiro, especialmente com o avanço do Pix. Ao mesmo tempo, o tíquete médio mais elevado mostra que o cheque segue sendo utilizado, principalmente, em transações de maior valor e em contextos específicos em que ainda fazem sentido para o cliente, como, por exemplo, a utilização como caução para uma compra”, analisa Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.
Avanço do PIX
A queda no uso do cheque ocorre em paralelo ao avanço acelerado dos pagamentos eletrônicos. Dados do Banco Central mostram que o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado no país, respondendo por mais da metade das transações financeiras realizadas em 2025. A ferramenta já é usada pela maioria dos brasileiros e supera dinheiro em espécie e cartões de débito.
Os cartões de crédito seguem em alta, impulsionados pelo parcelamento das compras, característica ainda marcante do consumo nacional. Ao mesmo tempo, operações bancárias feitas por celular continuam crescendo e já concentram a maior parte das transações financeiras.