Déficit habitacional no Brasil cai pelo segundo ano seguido e atinge menor patamar histórico

Entre 2023 e 2024, cerca de 200 mil famílias saíram de condições precárias de moradia.

Por Andre Souza

Moradia

O déficit habitacional no Brasil registrou queda pelo segundo ano consecutivo e atingiu o menor patamar desde que os dados começaram a ser monitorados. Segundo levantamento do Ministério das Cidades (MCID) divulgado na terça-feira (31), o país tinha, em 2024, 5.773.983 domicílios em situação de déficit, equivalente a 7,4% de todos os lares particulares ocupados. O número representa redução de 3,4% em relação a 2023, ou cerca de 200 mil famílias a menos em condições precárias de moradia.

O recuo é resultado de políticas públicas de habitação social, retomada de programas essenciais de inclusão urbana e expansão do acesso à casa própria. Entre 2023 e 2024, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) contratou 2,2 milhões de unidades habitacionais e entregou 1,4 milhão de moradias, beneficiando famílias de baixa renda em todas as regiões do país. Para este ano, o MCID projeta a contratação de 1 milhão de novas unidades, com prioridade para cidades com maiores índices de déficit.

O estudo detalha ainda a queda nos três componentes do déficit: o ônus excessivo com aluguel urbano, a coabitação (quando mais de uma família divide o mesmo domicílio) e a habitação precária. O número de famílias com gasto superior a 30% da renda em aluguel caiu de 3,66 milhões para 3,58 milhões. Já a coabitação passou de 1,29 milhão para 1,03 milhão de domicílios, e a habitação precária caiu de 1,24 milhão para 1,15 milhão.

A redução foi mais acentuada nas regiões Norte e Nordeste, com queda de 13,2% para 11,1% e de 8,9% para 7,1%, respectivamente. O Sudeste manteve a tendência de melhora, enquanto o Centro-Oeste apresentou leve aumento, passando de 8,5% para 8,7%. O Sul registrou queda para 6,4%, o menor índice da região.

O Ministério das Cidades reforça que "a tendência de redução do déficit habitacional depende da continuidade de políticas integradas entre União, estados e municípios, com foco em financiamento acessível, urbanização e infraestrutura. Segundo especialistas, manter o ritmo de entrega e ampliar programas sociais são medidas cruciais para que o país alcance índices ainda mais baixos nos próximos anos".