Acordo do governo com estados pode reduzir diesel em até R$ 0,60 por litro

Subsídio total chega a R$ 1,20 na cadeia de preços, mas impacto estimado ao consumidor é menor;

Por Da Redação

União compensaria metade da perda de arrecadação, ou seja, cerca de R$1,5 bilhão

O acordo firmado entre o governo federal e os estados para conter a alta do diesel pode reduzir o preço do combustível em até cerca de R$ 0,60 por litro ao consumidor final, segundo estimativas do governo. Embora o subsídio total previsto alcance R$ 1,20 por litro, esse valor atua nas etapas iniciais da formação de preços e não chega integralmente às bombas.

A iniciativa foi articulada pelo presidente Lula como resposta à disparada das cotações internacionais do petróleo, que pressiona combustíveis e amplia riscos de alta na inflação ao elevar custos de transporte e alimentos.

O modelo prevê divisão do subsídio entre União e estados, com até R$ 0,60 por litro custeados por cada parte sobre o diesel importado. A medida tem caráter emergencial, inicialmente prevista para durar até dois meses, podendo ser revista conforme a evolução do mercado internacional.

Segundo técnicos da equipe econômica, a diferença entre o valor total do subsídio e o desconto percebido pelo consumidor ocorre porque o preço final inclui ICMS estadual, custos logísticos, mistura obrigatória de biodiesel e margens de distribuição e revenda. Ainda assim, o governo avalia que o pacote pode gerar alívio perceptível nas próximas semanas, desde que haja repasse ao longo da cadeia.

Estados são decisivos para a redução

A adesão dos estados é considerada essencial para que a queda do preço chegue ao consumidor final. Segundo o governo federal, mais de 80% das unidades da federação manifestaram apoio à proposta durante as negociações, mas a participação depende de formalização individual após a publicação das regras oficiais. Governadores do Nordeste e do Norte foram os primeiros a sinalizar concordância com o modelo apresentado pelo Planalto, enquanto estados do Centro-Oeste e do Sul também participam das tratativas. No Sudeste, Minas Gerais e Espírito Santo indicaram disposição para aderir, enquanto o Rio de Janeiro informou que ainda avalia a medida e aguarda a regulamentação federal. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que o estado deve participar do acordo, classificação considerada estratégica pelo governo federal devido ao peso paulista no consumo nacional de diesel.

 Ao comentar o pacote na quarta-feira (1º), Lula afirmou que as medidas adotadas não têm relação com políticas implementadas em governos anteriores. Segundo ele, o cenário atual é provocado por fatores externos e exige respostas temporárias para proteger consumidores e setores produtivos. “O que estamos fazendo é impedir que uma crise internacional recaia sobre o consumidor brasileiro”, declarou.

Outras medidas adotadas

Além do subsídio, o governo anunciou a redução de tributos federais sobre o diesel, como PIS e Cofins, medida que contribui para a queda estimada dos preços. Para compensar parte da perda de arrecadação, foi elevado temporariamente o imposto de exportação sobre o petróleo bruto.

A expectativa é que a redução do diesel pode ajudar a conter pressões inflacionárias no curto prazo, já que o combustível influencia diretamente o custo do frete e o preço de alimentos e produtos industriais. O efeito final dependerá da estabilidade do petróleo no mercado internacional e do repasse efetivo das reduções ao consumidor.