A sobrevivência das empresas diante da alta do petróleo
Especialista explica que cenário exige cautela e planejamento dos importadores brasileiros
A guerra no Oriente Médio que envolve Estados Unidos, Israel e Irã está impactando diretamente no preço do petróleo e gerando impactos no comércio global. De acordo com o Brent, referência global da commodity, o preço do barril passou a casa dos US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. Atrelado a isso, a valorização do dólar aumenta ainda mais a pressão sobre quem depende de compras internacionais. Apesar do cenário de incerteza, especialistas reforçam que o momento não é de paralisar operações, mas de agir com estratégia.
De acordo com Rodrigo Giraldelli, especialista em importação China-Brasil e CEO da China Gate, empresas precisam adotar uma postura racional diante da volatilidade. “Períodos de guerra trazem muitas previsões divergentes e um ambiente de ansiedade. O empresário precisa manter a calma e evitar decisões precipitadas baseadas no pânico”, afirma.
Diante desse contexto, o especialista lista cinco dicas práticas para quem atua com importação:
1. Controle emocional e decisões estratégicas
Antes de qualquer mudança, é fundamental evitar reações impulsivas. Segundo Giraldelli, cenários de crise exigem análise e não interrupção abrupta das operações.
2. Acompanhe o dólar sem alarmismo
A alta da moeda americana ainda é considerada moderada. “O patamar atual é operacional para quem já importa, mas é importante monitorar se esse movimento se tornar estrutural”, explica.
3. Entenda o impacto real do petróleo no frete
Apesar da disparada do petróleo elevar custos globais, nem todas as rotas são afetadas diretamente. No caso da China para o Brasil, principal eixo de importação, não há expectativa de interrupções relevantes. “Os aumentos no frete estão mais ligados à incerteza global e ao custo de seguros do que a bloqueios efetivos”, diz.
4. Atualize sua planilha de custos
Com combustíveis mais caros e variação cambial, revisar preços e margens se torna essencial. Essa atualização ajuda a evitar prejuízos e manter a competitividade no mercado.
5. Mantenha o foco no cliente e na continuidade
Mesmo em cenários adversos, o consumo não desaparece. “Ele muda de perfil, mas continua existindo. Empresas que mantêm suas operações ativas tendem a ganhar espaço enquanto concorrentes recuam”, conclui Rodrigo Giraldelli.