Negociação de FIIs cresce 49,8% nos dois primeiros meses de 2026

Dados divulgados na semana passada pela B3 mostram aumento no volume diário e na base de investidores de fundos imobiliários.

Por Andre Souza

Galpão logístico faz parte da composição de Fundo de Tijolo

O mercado de fundos imobiliários (FIIs) manteve expansão nos dois primeiros meses de 2026, com crescimento na base de investidores e no volume negociado. Dados divulgados na semana passada pela B3, a Bolsa de Valores onde os fundos são negociados, indicam que em fevereiro estavam listados 432 FIIs, totalizando R$ 200 bilhões em ativos sob gestão, contra R$ 166 bilhões registrados em fevereiro de 2025. A base de investidores atingiu 3,076 milhões, ante 2,787 milhões no mesmo período do ano anterior.

Fundos imobiliários são veículos de investimento coletivo que aplicam recursos em empreendimentos do setor imobiliário, como contratos, shoppings, prédios comerciais, galpões logísticos e imóveis residenciais. Os investidores, chamados cotistas, recebem parte dos lucros obtidos por aluguéis ou valorização das cotas, que podem ser negociadas diariamente na bolsa de valores, oferecendo liquidez e diversificação na carteira.

O volume total negociado em fevereiro foi de R$ 8,5 bilhões, enquanto a média diária de negociação (ADTV) nos dois primeiros meses do ano chegou a R$ 508 milhões, 49,8% acima da média registrada em 2025. Pessoas físicas mantiveram participação relevante, respondendo por 47,3% do volume negociado e por 73,6% do total em custódia de FIIs.

Entre os fundos mais negociados em fevereiro destacaram-se o TRXF11, que investe em outros fundos imobiliários, o XPML11, de shoppings, e o KNCR11, composto por títulos de recebíveis imobiliários (CRI), refletindo o interesse contínuo dos investidores por diferentes segmentos de ativos imobiliários. Segundo a B3, "o crescimento do número de investidores e do estoque de ativos indica a consolidação do segmento no mercado brasileiro, que tem se mostrado cada vez mais relevante dentro da renda variável".

Os dados divulgados pela B3 mostram também que "os FIIs continuam atraindo atenção pelo seu papel como veículo de diversificação e exposição ao mercado imobiliário, mantendo estabilidade na negociação e relevância na composição de carteiras de investidores individuais. A liquidez média diária elevada reforça a atividade consistente do mercado, acompanhada de crescimento na base de participantes".

Distribuição de proventos

Conforme a legislação brasileira, os fundos imobiliários devem distribuir aos cotistas a maior parte dos lucros obtidos. Pelo menos 95% do lucro líquido apurado pelo fundo deve ser repassado, geralmente de forma mensal, proporcional ao número de cotas de cada investidor. Esses rendimentos podem vir de aluguéis de imóveis, juros de títulos ou valorização de cotas, e são creditados diretamente na conta do cotista. Os FIIs também divulgam calendários de pagamento e relatórios periódicos, garantindo transparência sobre quanto e quando será recebido.