Com chocolate 26% mais caro, Páscoa deve ter consumo seletivo
Preços de pescados e bacalhau também avançam às vésperas da Páscoa, diz ABRAS
A Páscoa deve impulsionar o consumo das famílias brasileiras após um início de ano marcado por maior cautela nas compras. A expectativa do setor supermercadista é de crescimento de até 10% no volume de vendas em 2026, puxado principalmente por produtos típicos da data, como chocolates, pescados e itens tradicionais do almoço comemorativo.
Segundo dados divulgados esta semana pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a principal tendência é de aceleração pontual da demanda, ainda que o consumidor mantenha postura mais seletiva diante do orçamento doméstico. “Com a aproximação da Páscoa, há uma tendência de aceleração do consumo no curto prazo, impulsionada por produtos típicos da data, o que eleva o volume nas lojas, mesmo com o consumidor mantendo um comportamento mais seletivo na hora de compor a cesta de abastecimento dos lares”, afirmou o vice-presidente da entidade, Marcio Milan.
O cenário econômico contribui para essa expectativa. O avanço do emprego e da renda tem sustentado o consumo, mesmo em um ambiente ainda marcado por inflação de alimentos e maior atenção das famílias aos gastos. Conforme matéria publicada pelo Correio da Manhã na edição de fim de semana, dados do monitoramento da ABRAS mostram crescimento do consumo nos lares na comparação anual, indicando desempenho favorável das vendas.
Preços do chocolate e pescados
Apesar do otimismo do varejo, a expansão das vendas deve ocorrer de forma moderada devido à pressão de preços sobre itens tradicionais da data. Nos 12 meses até fevereiro, chocolates em barra e bombons acumularam alta de 26,36%, reflexo do encarecimento do cacau no mercado internacional e bem acima da inflação geral do período. Já os alimentos típicos do almoço de Páscoa, como peixes e frutos do mar, registram variação próxima de 3,8%, enquanto o bacalhau apresenta aumento de 7,6%.
Diante desse cenário, a ABRAS acredita que o consumidor tende a pesquisar mais os preços, optar por embalagens menores e priorizar promoções. Para estimular as vendas, supermercados apostam em estratégias como ampliação do sortimento, ações promocionais em parceria com fornecedores, degustações e maior exposição de produtos sazonais nas lojas físicas e no comércio eletrônico.
A concentração das compras deve ocorrer principalmente na semana da Páscoa, responsável pela maior parte das aquisições relacionadas à data. Para o setor, o desempenho do período servirá também como indicador do ritmo do consumo ao longo de 2026, sinalizando até que ponto a melhora gradual do mercado de trabalho pode se traduzir em maior confiança das famílias na hora de comprar.