Caminhoneiros aguardam assembleia para decidir sobre greve nacional
CNTTL anuncia que espera decisão da Assembleia Nacional no Porto de Santos; categoria discute paralisação motivada pelo aumento do diesel e descumprimento da tabela de frete, enquanto governo anuncia medidas emergenciais.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) anunciou que irá aguardar a decisão da Assembleia Nacional dos Caminhoneiros, que começou na quarta-feira(18) e deve terminar nesta quinta-feira(19) no Porto de Santos, antes de qualquer definição sobre uma paralisação. Em comunicado oficial, a entidade reafirmou que respeitará a decisão coletiva da categoria, permanecendo em "estado de greve" até que a assembleia decida oficialmente.
O tema principal que move a mobilização é a alta persistente do preço do diesel, combustível essencial para o transporte rodoviário de cargas. Nos últimos meses, o combustível sofreu reajustes consideráveis, influenciados pelo mercado internacional de petróleo e fatores geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio, por exemplo. Esses aumentos elevam os custos de operação de caminhoneiros autônomos e pequenas transportadoras, pressionando margens já estreitas e aumentando a insatisfação da categoria.
Outro ponto de tensão é o descumprimento da tabela do “piso mínimo do frete”, criada após a greve histórica de 2018, com o objetivo de garantir que os valores pagos cubram custos básicos como combustível, manutenção e depreciação dos veículos. Caminhoneiros afirmam que muitas transportadoras e contratantes não seguem integralmente os valores mínimos, ampliando prejuízos frente à escalada do diesel.
O setor é historicamente fragmentado. Formado por motoristas autônomos, cooperativas e diversas entidades regionais, não existe uma liderança centralizada que represente toda a categoria. Embora organizações como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) tenham influência em determinadas bases, nenhum grupo tem autoridade para decidir unilateralmente sobre uma paralisação nacional. Por isso, a assembleia no Porto de Santos ganha importância estratégica, funcionando como espaço de deliberação coletiva.
Caminhoneiros
Segundo levantamentos do setor, o Brasil possui mais de 1,5 milhão de caminhões registrados e cerca de 1,2 milhão de motoristas ativos no transporte rodoviário de cargas. Considerando todos os profissionais habilitados com CNH C, D ou E, o total chega a aproximadamente 4,4 milhões, embora nem todos estejam em atividade na profissão. Nos últimos dez anos, o número de caminhoneiros ativos caiu cerca de 22%, refletindo o envelhecimento da categoria e a crescente insatisfação com a profissão.
Governo Federal tenta barrar greve
Diante desse cenário, o Governo Federal anunciou e tentou implementar diversas medidas emergenciais para reduzir o risco de paralisação. Entre elas está a fiscalização reforçada da tabela do frete mínimo (intensificação da atuação de órgãos competentes para coibir contratações abaixo do piso e aplicar multas ou suspender empresas infratoras), o monitoramento do transporte de cargas (ampliação de sistemas eletrônicos e de fiscalização de campo para garantir o cumprimento das regras), a redução temporária de tributos federais sobre o diesel (suspensão parcial do PIS e Cofins, com o objetivo de reduzir o preço do combustível e aliviar os custos da categoria), a articulação com estados para reduzir ICMS sobre o diesel ( negociações visando compensar a perda de arrecadação e permitir uma diminuição do preço final do combustível) e a criação de canais de diálogo direto com sindicatos e associações (aproximação de representantes regionais para reduzir o risco de uma mobilização nacional descoordenada).
Apesar dessas ações, a decisão final sobre uma possível greve dependerá da votação entre os caminhoneiros durante a assembleia em Santos. Caso a maioria aprove um indicativo de paralisação, a categoria poderá cruzar os braços nos próximos dias, afetando trechos estratégicos de rodovias federais e estaduais e causando impactos na circulação de cargas essenciais.
Greve de 2018
A greve dos caminhoneiros de 2018 durou 11 dias, de 21 a 31 de maio, e provocou desabastecimento de combustíveis, alimentos e interrupções em serviços essenciais em todo o país.
Existia a expectativa para uma decisão sobre a greve, ou não, para quarta-feira(18). Porém, parte da categoria decidiu aguardar o resultado da assembleia em Santos.