Copom reúne-se terça e quarta-feira para definir rumo da taxa Selic
Mercado está dividido se o Comitê deve manter os juros ou iniciar cortes na taxa básica de Juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta terça-feira (17) e quarta-feira (18) para discutir a trajetória da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Esta é a segunda reunião de um total de oito previstas para 2026, e a decisão que será anunciada promete definir se o ciclo de redução de juros finalmente terá início e em que ritmo, em um contexto de inflação ainda acima do centro da meta e riscos externos persistentes.
O Copom é formado pelo presidente do Banco Central — atualmente Gabriel Muricca Galípolo — e pelos diretores que compõem a diretoria colegiada do Banco Central. Juntos, eles analisam indicadores de inflação, atividade econômica, câmbio, fiscal e cenário internacional para tomar decisões sobre a política monetária do país.
Segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (16), analistas projetam que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a para 14,75% ao ano, cenário alinhado à expectativa de início do ciclo de flexibilização da política monetária em 2026, caso a inflação continue sob controle. O movimento decorre de sinais de moderação da inflação e da esperança de que a desaceleração dos preços prossiga sem choques adversos.
Visões contrastantes entre grandes instituições
O mercado está dividido sobre o rumo da Selic nesta semana. Instituições como o BTG Pactual veem viabilidade para um corte inicial de 0,25 ponto percentual, abrindo um ciclo gradual de queda rumo a níveis mais confortáveis para o crescimento econômico, desde que riscos externos e dados fiscais não se deteriorem. Essa abordagem prevê que o Copom condicione a trajetória futura da Selic à evolução de indicadores de inflação, câmbio e atividade econômica.
Por outro lado, casas como a XP Investimentos defendem que a Selic deve permanecer em 15% nesta reunião, argumentando que o cenário recente não mudou substancialmente desde a reunião anterior, incluindo inflação e atividade econômica, e, portanto, não haveria espaço suficiente para uma redução imediata. A manutenção da taxa elevada reflete uma postura cautelosa até que haja sinais claros de convergência plena da inflação à meta.
Mercado discute ritmo e extensão dos cortes
Mesmo entre aqueles que esperam o início do ciclo de cortes, há debates sobre velocidade e magnitude das reduções ao longo de 2026. Relatórios de diversas instituições indicam que, após um corte inicial de 0,25 ponto percentual, o Copom poderia adotar ajustes graduais de até 0,50 ponto percentual por reunião, dependendo da evolução dos dados econômicos.
Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) mostra que a maioria dos bancos espera cortes de 0,50 ponto percentual já em março, com a Selic podendo ficar abaixo de 12,25% ao ano até o fim de 2026, caso o ciclo de afrouxamento seja contínuo. No entanto, choques externos, como tensões geopolíticas e preços de combustíveis, e incertezas internas, como cenário eleitoral e política fiscal, podem levar o Copom a um caminho mais gradual ou cauteloso.
Inflação e meta continuam em foco
A Selic é o principal instrumento de controle da inflação, que ainda se encontra acima do centro da meta de 3% ao ano, com banda de tolerância definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O Copom observa com atenção as expectativas de inflação, sensíveis a choques de oferta e variações cambiais, e o tom do comunicado após a reunião será tão importante quanto o valor da Selic. Um comunicado mais “dovish” pode acelerar o ciclo de flexibilização, enquanto um texto mais “hawkish” reforçaria a necessidade de juros altos por mais tempo.
Perspectivas para 2026
Se o Copom iniciar o ciclo de cortes nesta reunião e mantiver ritmo gradual, a Selic pode terminar 2026 entre 12% e 12,5% ao ano, estimulando crescimento econômico, crédito e investimentos. Contudo, o cenário depende de consolidação do controle da inflação e de maior estabilidade externa.
Diante desse cenário de expectativas divididas, a decisão do Copom é acompanhada com atenção por mercados, empresas e consumidores, pois definirá o tom da política monetária brasileira para 2026 e suas implicações para o crédito, investimentos e consumo.
Esta matéria foi elaborada com base em projeções de instituições financeiras e análises de mercado divulgadas nos dias que antecedem a reunião do Copom em Brasília.